quarta-feira, 24 de julho de 2013

A conversa do costume


O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, admitiu hoje a possibilidade de reduzir o horário de trabalho na Administração Pública, que agora pretende alargar das 35 para as 40 horas semanais, após a actual "fase de emergência" de Portugal. Mas qual “fase de emergência” de Portugal e quando é que ela vai terminar? Com níveis históricos de desemprego, o emprego deveria ser a emergência das emergências. Pelo contrário, a emergência desta gente é despedir milhares de trabalhadores e obrigar os que não sejam despedidos a trabalharem gratuitamente as horas que anteriormente garantiam o sustento dos primeiros.

O compromisso de redução do horário que agora aumentam soa àquela conversa que os traidores do costume – FESAP e STE (UGT) – costumam usar para justificarem o injustificável, alinhando num modelo de “negociação” em que são sempre os mesmos a perder, sem que lhes seja dado rigorosamente nada em troca. Negociar já foi “eu cedo nisto e tu cedes naquilo”. Os sindicatos da UGT cedem sempre em tudo e nunca exigem nada em troca. Desta vez, até poderá dar-se o caso insólito de darem o seu acordo a medidas que depois o Tribunal Constitucional considere inconstitucionais. A UGT anda há demasiados anos a brincar com as vidas dos seus representados. Há muito que os homens da situação que dirigem os seus sindicatos fazem por merecer um vexame que os retrate publicamente. Em tal dia será.

A mesma “emergência” medida em SWAPS: PSD e CDS chumbam regresso de ministra das Finanças ao Parlamento. Os bloquistas queriam que a ministra das Finanças regressasse à Assembleia da República, depois de já ter sido ouvida a 25 de Junho, para clarificar o conhecimento que tinha sobre a gravidade dos contratos subscritos por empresas públicas, quando tomou posse como secretária de Estado do Tesouro. O partido pretendia ainda confrontar a governante com as declarações que fez sobre os custos que este caso terá para os contribuintes. Maria Luís Albuquerque tem vindo a ser acusada de faltar à verdade no Parlamento, já que nas últimas semanas veio a público que recebeu informação sobre o caso logo em Junho de 2011, quando os derivados acumulavam perdas potenciais de 1500 milhões de euros, mas as negociações com os bancos só começaram em Novembro do ano passado, já o risco de prejuízo atingia perto de 3000 milhões.

 

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