terça-feira, 25 de junho de 2013

Vale sempre a pena lutar

Caminhava um pacato cidadão pelo passeio quando um camião resolve galgar o lancil e tentar atropelá-lo. O cidadão desvia-se e reclama com o camionista. Numa situação como esta, não passa pela cabeça de ninguém no seu perfeito juízo dar qualquer razão ao camionista e admitir sequer que o peão não devesse ter feito o que estava ao seu alcance para não se deixar atropelar.
Já a coisa muda de figura se substituirmos cidadão por funcionário público ou por professor e camionista por Governo. As opiniões dividem-se imediatamente, nem mesmo conhecidos que são os resultados da conduta de um Governo que atropela tudo e todos, incluindo a Lei fundamental, e nem mesmo conhecendo os roubos de salários e de direitos com que tem brindado trabalhadores do público e privado, sem excepções. Já lá vai o tempo em que populista era aquele que prometia mundos e fundos aos seus potenciais eleitores. O populismo entrou numa fase em que pode conjugar à sua vontade o verbo "poupar" aplicado à dignidade de milhares de vidas, que há sempre uma multidão de tarados que aplaude entusiasticamente.
Isto a propósito do braço de ferro que opôs Governo e sindicatos de professores. Os professores organizaram-se, uniram forças e reagiram em bloco e o Governo não teve outra alternativa que não recuar. Pelo menos para já, porque o Governo assumiu o compromisso de suspender temporariamente a caça ao professor, também temporariamente, os sindicatos aceitaram suspender a luta. A greve às avaliações foi desconvocada. Até ver, a normalidade possível regressará às escolas portuguesas. Valeu a pena lutar. Como o fizeram os professores.
Os sindicatos da restante Administração pública que aprendam como se faz. Não será uma greve de apenas um dia que fará o Governo suspender a caça aos direitos dos seus representados. Os trabalhadores em funções públicas que verifiquem como a união faz a força. E aquela espécie de pais e de mães mal amanhados que defenderam os direitos especiais de atropelamento do camionista Crato que aprendam para que servem as greves. Bons pais e boas mães ensinam aos seus filhos como devem proceder ao longo das suas vidas para evitarem os atropelamentos. E que vale sempre a pena lutar.

2 comentários:

gina henrique disse...

É claro que vale sempre a pena lutar pois sem luta nada se consegue, mas infelizmente grande parte da administração pública é costituida pelos parentes pobres dos professores e sendo assim restam-lhes poucas hipóteses de se afirmarem.

Filipe Tourais disse...

Quem não se dá ao respeito passa a vida a queixar-se.