quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um Domingo à Quinta-feira

A digerirem derrotas sobre derrotas no braço de ferro com os professores, o Governo e os partidos da maioria que o suporta no parlamento têm feito de tudo para equilibrar a contenda. Primeiro foram os jotinhas e alguns deputados do PSD, mais velhinhos mas nem por isso mais crescidinhos, a soltarem uma lebre que fizeram correr furiosamente nos terrenos da demagogia: quanto custam afinal ao Estado os sindicatos de professores? Feita assim, com tanta preocupação restrita apenas aos sindicatos de professores, a questão é em si mesma uma boa medida, quer da ingenuidade de quem a faz, quer das derrotas que têm acumulado. Mais ainda pela facilidade da resposta, os sindicatos são financiados pelas quotas dos seus filiados. E ainda que o Estado os financiasse de alguma maneira,  não custariam nada que se compare com os 3 mil milhões que o império laranja deu a ganhar aos seus amigos dos SWAPS e menos ainda se comparado com os milhares de milhões de outros negócios do mesmo tipo que PSD, PS e CDS celebraram com as suas clientelas das PPP, merecendo a resposta o esclarecimento adicional de que não devem confundir-se custos da democracia com custos da captura da democracia. Eles parece que não entendem, não querem entender.
 Depois foi o Governo. Com as costas aquecidas pelo capanga de Belém, Pedro Passos Coelho tentou mobilizar a massa acrítica do país para a causa das greves ao Domingo, nas férias e durante o sono. Temos que reconhecer que tem toda a razão: as greves assim não prejudicariam ninguém.
Mas temos também de ajudá-los a trazer os pezinhos de volta à terra, se é que alguma vez lá estiveram: é precisamente por isso que não há greves ao Domingo, nem nas férias, nem em nenhum período onde ninguém as note. A força das greves reside precisamente nos prejuízos que causam, são estes prejuízos que obrigam a recuar quem se decide a avançar sobre os direitos reivindicados ou adquiridos de quem é obrigado a fazer greve para não ser prejudicado por esse ataque. Quem ataca tenta prejudicar quem se defende causando prejuízos a quem ataca. A coisa funciona assim. E quase sempre funcionou bem, ou ainda trabalharíamos 20 horas por dia, aos Domingos e nas férias. E então as greves prejudicariam sempre alguém porque não haveria nenhum dia livre que se pudesse aproveitar para fazer aquela espécie de greve defendida pela rapaziada do PSD e do CDS.
E veja-se como esta malta não aprende nem se lhes explicarmos tudo assim devagarinho, tão embriagados que andam com o poder que conquistaram prometendo o contrário do que fizeram depois de o sentirem nas mãos. As duas centrais sindicais convergiram na marcação de uma greve geral para dia 27. E o que é que eles viram na convocação da greve geral? Uma oportunidade para decretarem um Domingo de greve à Quinta-feira, antecipando para a véspera  os dois exames de matemática que estavam marcados para o dia da greve. Não imagino se antecipar um exame prejudica mais ou menos os alunos do que adiar um exame. Os pais que se puseram ao lado do Governo no dia do exame de português da passada Segunda-feira é que são especialistas nesta matéria, eles que se pronunciem. O que se percebe cada vez mais nitidamente é que toda esta garotada irresponsável e prepotente anda a precisar de uma valente lição. Andam a brincar com o fogo, com labaredas cada vez maiores. Vão  queimar-se, mais cedo do que tarde. Que não demorem muito. Estão a queimar-nos vivos.

Sem comentários: