segunda-feira, 24 de junho de 2013

Some things never change

As quatro confederações patronais escolheram esta Segunda-feira para tornarem público um documento no qual exigem ao Governo que, começando pela humildade de assumirem que erraram, invertam o sentido das políticas seguidas nos últimos dois anos.
Entre as propostas que apresentam, contam-se a redução do IRC, IVA e IRS, o cumprimento do acordo alcançado no ano passado em sede de concertação social, mas nem uma palavra sobre a actualização do salário mínimo que firmaram na mesma sede de negociação nos idos de 2006, que também deixaram por cumprir. Os patrões falam na necessidade de reanimar o consumo, na ausência do qual a retoma será sempre uma miragem, mas não querem nem ouvir falar em contribuir para a actualização salarial que favoreceria tal objectivo. Venha a nós o vosso reino e seja feita a nossa vontade. A nossa pequena burguesia nunca foi muito melhor do que isto.
Temos, portanto, que dois anos de austericídio ainda não encerraram um número suficiente de empresas para que os nossos empresários tenham percebido que não há consumo sem salários e que o achatamento salarial e a precariedade que têm sido promovidos nos últimos anos não afectam a todos por igual: uma minoria de grandes empresas tem visto os lucros a aumentar, ao passo que as pequenas e médias empresas vão encerrando portas a um ritmo cada vez mais acelerado. Há cada vez mais ex-empresários a serem transformados em assalariados, mas nem mesmo esse milagre económico é garantia de que algum dia percebam o que nunca chegaram a perceber quando trabalhavam por conta própria. Há muito boa gente que sempre trabalhou por conta de outrem que nunca fez outra coisa que não encolher as orelhas aos “tem que ser” que lhes vão proporcionando vidas cada vez mais instáveis e miseráveis, apesar das 40 ou mais horas semanais trabalhadas no duro. Talvez um dia, pela intervenção directa da Nossa Senhora de Fátima ou porque o que tem que ser tem muita força.

1 comentário:

Formiga disse...

Não sabem o que querem, por burrice ou hipocrisia?