terça-feira, 25 de junho de 2013

Sobre a actual contra-governação no sector da Educação

O Governo quer aumentar-lhes o horário semanal de trabalho em 5 horas sem qualquer remuneração adicional e os professores do ensino secundário português passam 774 horas por ano a ensinar alunos, mais 110 horas do que a média dos seus colegas dos outros países da OCDE. Pelo contrário, o tempo que têm para se dedicarem a tarefas não lectivas — como avaliar os estudantes ou preparar lições — é inferior à média.
Estas são apenas duas das conclusões do relatório anual da OCDE sobre Educação, hoje divulgado, onde também se lê sobre o enorme desafio que se coloca a um país como Portugal, cujo Governo quer despedir professores apesar de, em 2011, o país ser um dos cinco da organização com a maior proporção de adultos entre os 25 e os 64 anos sem o ensino secundário completo (65% da população, em contraste com os 25% da OCDE). Mesmo na faixa etária mais jovem (25-34 anos), apenas 27% dos portugueses tinham um curso superior, contra 39% na OCDE e 36% na União Europeia.
Pode parecer pouco animador, mas revela, ainda segundo o mesmo relatório, um enorme progresso: dez anos antes, apenas 13% dos jovens portugueses tinham um diploma de uma universidade ou politécnico. O Governo aposta agora em percorrer o caminho inverso, desinvestindo na Educação, piorando as condições de trabalho nas escolas, despedindo professores e reduzindo bolsas e outros apoios indispensáveis a alunos que querem estudar e não podem por incapacidade financeira. Estudar voltou a ser um privilégio das classes mais abastadas. Passos Coelho e Paulo Portas governam contra o progresso, contra a Educação, contra os professores e contra os alunos. Temos um Governo contra tudo e contra todos, exceptuando os beneficiários crónicos de umas quantas negociatas que custam ao país mais do que Educação e Saúde conjuntamente e das quais o país não retira benefício rigorosamente nenhum.

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