terça-feira, 4 de junho de 2013

Responsabilização por convite


A notícia foi produzida na última Sexta-feira. O governo ia demitir os gestores de seis empresas públicas com contratos swap considerados especulativos, isto é, tóxicos, mas, depois de suscitar o efeito pretendido no capítulo da imagem,  a "bomba" rapidamente se revelou um tiro de pólvora seca. Afinal, tratou-se apenas de um convite, ainda por cima um convite que excluiu a Secretária de Estado do Tesouro, ela própria também envolvida em SWAPs na REFER,  e Os gestores não aceitaram esse convite para se demitirem. Claro.
O Governo apenas poderia demiti-los com justa causa e, porque o apuramento dessa justa causa traria inevitavelmente à luz do dia pormenores sórdidos com efeito contrário ao da notícia "bomba", não é do seu interesse avançar por aí, até mesmo porque depois haveria lugar à responsabilização financeira dos boys e girls implicados, que teriam que ressarcir o Estado português pelos prejuízos causados pelos milhares de milhões que deram a ganhar a terceiros, e a outras responsabilizações dos governantes que permitiram os negócios.
Voltamos, portanto, à primeira forma. Aliás, corrijo, ficamos na primeira forma, de onde nunca saímos: pagamos. Até ver, despedimentos por justa causa só mesmo aqueles que o Governo tem reservados para os trabalhadores da Administração Pública. Sabem como é, privilegiados, gorduras do Estado, malandros pagos a peso de ouro.
Entretenham-se para aí a achar muito bem os moralistas do costume. Aquilo dos SWAPs é só teoria. E o pessoal tem que ser prático. A malta do café lá do bairro gosta é de cascar nos funcionários públicos. Ainda na semana passada um que mora mesmo aqui ao lado apareceu com carro novo, vejam lá o descaramento. E eu, que nem carro tenho, a pagar o carro daquele mamão. Ó amigo, não faça essa cara. Sou eu que lhe pago o salário, ou o que é que pensa? 

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