sexta-feira, 7 de junho de 2013

O seguro Bilderberg, apólice PT


Pagar o que se deve é questão de honra e que rejeita perdão de dívida, diz António José Bilderberg Seguro em entrevista ao Público. O FMI admitiu erros grosseiros nos programas de desajustamento? O Banco Central Europeu andou a enriquecer bancos à nossa custa emprestando-lhes os milhões que eles depois nos emprestaram a juros 10 vezes mais elevados porque o BCE não empresta dinheiro a estados? Não há problema absolutamente nenhum que tenham gerado dívidas ilegítimas. Os  portugueses são pobrezinhos mas honrados. Pagam. António José Seguro anda a dizer que quer renegociar com os nossos credores internacionais. Quererá renegociar concretamente o quê?


Vagamente relacionado, vale a pena ler na íntegra o artigo de José Manuel Pureza no DN, que li já tinha publicado o que se lê acima. Deixo aqui um pequeno excerto: « (…)O Clube de Bilderberg - como a Comissão Trilateral ou o Forum de Davos - não tem que ser visto como sinónimo de conspiração obscura para poder ser avaliado politicamente. Embarcar em exercícios estilo Código Da Vinci na leitura da influência destes atores dá preferência à novela sobre a política. Desde 1954, o Clube de Bilderberg reúne elites políticas, empresariais e militares. Com discrição, sem holofotes, sem povo e com muito poder - o poder do contágio, o poder da modelização do olhar e do discurso, o poder da limitação da escolha política. Bilderberg é o centrão em escala mundial. E é para facilitar a perpetuação do centrão que manda - na finança, nos media, na produção de senso comum, na elaboração de políticas - que o clube serve.
António José Seguro participa com Paulo Portas na conferência de Bilderberg de 2013. Sendo um convite de Francisco Pinto Balsemão, é uma escolha do secretário-geral socialista. E é uma escolha francamente preocupante para quem quer dar densidade programática concreta a uma alternativa de esquerda ao atual Governo das direitas em Portugal. Acreditar que António José Seguro seja convidado para sensibilizar os CEO e os estrategas de Bilderberg para os graves problemas do emprego e do crescimento na Europa é o mesmo que acreditar que um simpatizante da não-violência converterá uma claque de futebol organizada à tolerância e ao fair play. Não, sabidamente Seguro participa no exercício anual de densificação de uma rede de poder. Só isso. E isso tem um enorme significado.»

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