sábado, 1 de junho de 2013

O melhor povo do mundo


Quais juros agiotas, qual agenda de reconfiguração social, qual desemprego, qual generalização da precariedade e do salário mínimo, qual redução das protecções sociais, qual desmantelamento dos serviços públicos, qual fome, qual miséria, quais ameaças de despedimento na Administração Pública, qual asfixia fiscal, qual presente sacrificado, qual futuro roubado, quais privatizações, qual concentração da riqueza e qual país nas mãos de uns poucos para desgraça dos restantes que os sustentam.

Acabo de regressar do protesto organizado pelo movimento "Que se lixe a troika" para dar às pessoas da minha região a oportunidade de se manifestarem contra tudo isto e não apareceram mais do que 300. As restantes, e as últimas manifestações em Coimbra reuniram 10 e 20 mil pessoas, hão-de ter tido todas a mesma ideia: há-de haver quem se manifeste por mim. Foram muito poucos os que se manifestaram por todos. A maioria permaneceu na sua zona de conforto.

Regresso realmente desolado com o alheamento que constatei ao vivo na minha cidade e que, pelo que leio na imprensa,foi também o recado que os ausentes em Lisboa e no Porto quiseram enviar ao Governo e à troika: não é nada connosco. E mais decepcionado ainda por ter presenciado uma cena que me deixou bastante constrangido.

Cerca das 15h30, quando cheguei à Praça da República, ninguém diria que havia manifestação convocada para hoje. Foi chegando gente e, mais ou menos pelas 16 horas, alguém da organização veio avisar o meu grupo que partiríamos avenida abaixo pelas 16h30. Lá partimos. Éramos poucos. Olhamos para trás, na direcção do grupo de cerca de 40 aposentados da APRE, estranhando que não acompanhassem a manifestação. Nisto, Maria Rosário Gama, um dos rostos do movimento, sobe a um dos bancos de pedra da Praça da República para discursar por um par de minutos. O discurso terminou. O grupo da APRE desapareceu lá atrás e não integrou a manifestação. Não vou conjecturar demasiado. Estiveram lá, contaram as cabeças dos presentes e não quiseram expor-se participando numa manifestação com tão pouca gente. Passarei a prestar mais atenção às movimentações com potencial eleitoral dos dirigentes da APRE. Por mais justa que seja a sua causa, e reconheço que é, em situações de crise como a que vivemos há que ter cuidados redobrados com os oportunistas.

2 comentários:

Peralta disse...

Pois, pois, dissimulação para o bem da nação. Todos se transfiguram por uns euros. Por exemplo a malta de direita, conservadora e patriota (por sinal funcionários públicos) são europeístas convictos pois o euro é uma moeda forte e dá para “mandar vir” muitas coisas pela internet ou comprar bugigangas no lidl!!! E a esquerda não é muito diferente.
Confesso que me delicia ver a decadência em curso. É um misto de pasolini com bunuel!

Anónimo disse...

Bolas, foi muito mal convocada, eu que me considero uma pessoa informada, só soube da Manif. ns 5ª Feiea, 2 dias antes, um conselho: não abusem do Facebook e divulgem as informações por todos os meios.

Schleibinger