terça-feira, 25 de junho de 2013

Eles riem, nós pagamos (ai aguentam, aguentam)


Se alguma dúvida ainda restasse de que os banqueiros são gente divertida e sempre animada pelas melhores intenções, agora podemos ter a certeza absoluta graças a uma conversa entre dois altos executivos bancários irlandeses. A conversa foi gravada em 2008, em vésperas de o Governo enterrar milhares de milhões de euros no Anglo-Irish Bank, uma instituição falida - o BPN de lá. Um dos executivos pergunta ao outro como chegou ao número de sete mil milhões como a soma correcta para pedir ao Estado. O outro ri e diz que a tirou do rabo.

Mais a sério, explica que inicialmente não convém pedir muito (!). Melhor deixar que o financiamento pelo Estado vá crescendo discretamente, sempre usando o argumento de que deixar o banco afundar-se seria pior para toda a gente. Acima de tudo, sugere o executivo (rindo mais, juntamente com o seu colega) não se pode deixar que os contribuintes percebam que nunca vão recuperar o que é deles. A cada nova solicitação de fundos, tem de se explicar que é para o cidadão comum proteger "o seu dinheiro". Com um pouco de sorte, acrescentam os executivos, o banco ainda acaba nacionalizado e eles dois conservam os seus lugares.

Ao todo, o Estado irlandês já enterrou 30 mil milhões de euros só naquele banco. Estas novas revelações, surgidas no diário Irish Independent, foram divulgadas discretamente durante o dia de ontem pela imprensa portuguesa. Cheguei até ela via Paulo Guinote.


Vagamente relacionado: num momento em que o Governo destila moralidade e fala na necessidade de fazer mais uma reforma no Estado apenas para funcionários de carreira e o PS riposta com argumentos que não incluem qualquer proposta de denúncia de contratos SWAP ou PPP nem qualquer alusão à necessidade de alterar a forma como, ao longo dos tempos, PS, PSD e CDS sempre instrumentalizaram a Administração Pública nomeando os seus boys e girls para cargos dirigentes , um Secretário de Estado demitido devido aos “swaps” que celebrou enquanto administrador da empresa foi reintegrado na Metro do Porto. Paulo Braga Lino tinha deixado o lugar na Defesa por ter sido director financeiro da empresa na altura em que a transportadora celebrou contractos especulativos que acumularam perdas potenciais de 900 milhões de euros, uma verba de valor semelhante ao dos subsídios de férias da totalidade da Administração Pública que o Governo quis pagar apenas em Novembro, ao arrepio da lei.

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