segunda-feira, 17 de junho de 2013

Breve balanço de uma greve histórica

1. A vitória de uma classe que soube unir-se contra um ataque às suas vidas ao nível profissional e pessoal e na defesa de uma Escola pública de qualidade. Foi a maior greve de professores de sempre. 
2. A derrota completa de um Governo que convocou para a vigilância do exame que teimou em não adiar um número de professores mais de dez vezes superior ao que seria necessário e poderá não ter conseguido sequer que um décimo dos alunos inscritos o realizasse.
3. A irresponsabilidade de um Governo que passou por cima de todos os regulamentos e  pôs exames a decorrer em cantinas e em ginásios com os alunos vigiados por apenas um professor impreparado de outro grau de ensino que não o das provas.
4. A desinformação promovida por meios de comunicação social que cobriram a greve com questões centradas apenas na realização ou não realização do exame e no correu mal ou correu bem que perguntavam aos alunos, quando o que está em jogo é o futuro da Escola pública e as condições de trabalho de dezenas de milhar de profissionais.
5. A compreensão da greve por parte de alunos que chegaram a invadir salas para impedir que os colegas participassem na batota promovida pelo Ministério da Educação.
6. A instabilidade e a ingovernabilidade de um Ministério gerido por um irresponsável que depois de toda a incompetência que patenteou na gestão deste conflito, o ponto final de uma longa série de asneiras acumuladas ao longo dos últimos dois anos, não tem condições para se manter no cargo.
7. Um Governo já completamente desacreditado que arranjou forma de se desacreditar ainda mais. O Governo caiu mais um bocadinho. Sem Presidente da República, o país anda assim, a cair aos bocadinhos.


(editado)

1 comentário:

F Vaz da Silva disse...

Os atropelos às regras (tão rígidas noutras variadas circunstâncias) para conseguir que o maior número de alunos fizessem exame não me surpreende. Até aposto que a IGEC concluirá que nada de irregular se passou. Nos tempos que vivemos, o rigor, o cumprimento das normas e das leis - já se viu - são coisas relativas. Depende das conveniências de cada situação. Pois claro.
Não se pode esquecer, porém, que o ministro, os seus secretários de estado e directores gerais, não estavam à porta de cada escola segunda-feira de manhã para forçar o recurso a este tipo de expedientes. Não era necessário. Nestes momentos difíceis pode sempre contar-se com o zelo voluntarioso dos que, com o pequeno poder para decidir em cada lugar, não deixam escapar uma oportunidade de fazer bonito. Custe o que custar. Nem que para isso a primeira baixa seja o tão apregoado e sacrossanto respeito pelos jovens alunos.
Que se não confundam estes com todos os que exerceram o seu legítimo direito de não fazer greve. Tal como eu, que decidi, com a mesmíssima legitimidade, no sentido contrário.