quinta-feira, 23 de maio de 2013

Será agora ou nunca mais

Os sindicatos dos Professores parece que finalmente perceberam que com apenas um dia de greve não conseguirão travar mais uma investida do Governo sobre as suas condições de trabalho e direitos laborais. O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) anunciou nesta quinta-feira que será entregue amanhã o pré-aviso de greve geral dos professores contra a colocação em mobilidade especial. Para além dos cinco dias de paralisação que já tinham sido prometidos, Mário Nogueira disse que o protesto abrangerá mais um dia. Seria óptimo que os sindicatos da Administração Pública percebessem o mesmo e unissem forças com os sindicatos dos professores. A mobilidade para o despedimento que também os precarizará, o aumento de cinco horas do horário semanal de trabalho para toda a vida sem qualquer aumento de remuneração e a redução do número de dias de férias são abusos demasiadamente radicais para que se lhes responda com brandura e serenidade.
Em ambos os casos, quer no dos professores, quer no dos Trabalhadores da Administração Pública, há sete ou oito anos consecutivos que a resposta dos sindicatos às sucessivas investidas dos Governos sobre os direitos dos seus representados foi sempre, quando muito, um dia ou dois de greve aqui mais uma ou outra manifestação ali. E foi sempre a perder: desmantelamento de carreiras, cortes salariais, confiscos de subsídios de férias e de Natal, congelamento de promoções, congelamento de prémios, redução da remuneração de horas extraordinárias, tudo fizeram e tudo levaram.
O que está em causa desta vez é uma perda demasiado grande e de uma vez só para que os representantes dos trabalhadores se dêem ao luxo de não convocarem uma greve de, pelo menos, uma semana. Caso o Governo não recue, a greve por tempo indeterminado é uma possibilidade que de forma alguma pode ser descartada num momento em que já circulam notícias sobre as intenções do Governo de revisão das tabelas salariais a título definitivo, para vigorarem já em 2014. Se não forem travados agora, nunca mais ninguém os há-de parar. Depois de generalizada a precariedade, não é crível que alguma greve volte a ter níveis de adesão capazes de temperar a obstinação sequer de uma formiga.

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