quarta-feira, 29 de maio de 2013

Quem diria

Vítor Gaspar e o PSD lembram-se de acusar e dizem que sim, o PS defende-se e diz que não: o memorando inicial foi mal negociado. Boa! Os primeiros sempre disseram que estávamos no bom caminho. Os segundos fartam-se de dizer que necessitamos de renegociar o memorando com o máximo de moderação, para que os senhores da troika não se zanguem connosco. E o memorando inicial nunca foi negociado de todo: PSD, PS e CDS, recorde-se, assinaram de cruz o que a troika lhes pôs à frente sem saberem sequer que juros nos iriam cobrar pelo empréstimo que contraíram felizes da vida pelo excelente negócio para o país que acabavam de conquistar, ao mesmo tempo que se recreavam a acusar o Bloco de Esquerda e o PCP de irresponsabilidade por não terem querido participar no consenso nacional que resultou no desastre que todos conhecemos.
Moral da história: dois anos depois, não foi ninguém. O PS, o PSD e o CDS continuam a ser os partidos do “arco da governabilidade” detentor do monopólio do sentido de Estado e da responsabilidade.  O Bloco de Esquerda e o PCP continuam os radicais irresponsáveis de sempre. As sondagens revelam que a grande maioria dos portugueses acredita piamente nesta história da carochinha. Foi assim porque foi assim, será assim porque sempre foi assim. E ai de nós se deixasse de ser. Temos que continuar no bom caminho.

(editado)

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