quinta-feira, 23 de maio de 2013

Os números do Gaspar, o Gaspar e os números



"Chegou o momento do investimento. Repito, depois do ajustamento chegou o momento do investimento". Foi nestes termos, voltando a anunciar a retoma económica pela enésima vez, que o ainda Ministro das Finanças começou o anúncio do seu catalisador económico, a saber: a dedução à colecta em sede de IRC de 20% do valor investido por empresas suficientemente loucas para apostarem num mercado interno devastado por políticas de minimização salarial e generalização da precariedade,onde a Justiça detém o recorde europeu da lentidão e onde os bancos preferem especular no mercado das dívidas soberanas a conceder crédito a uma economia cuja competitividade se encontra diminuída pelos preços monopolistas praticados por clientelas de um poder político que assim lhes proporciona avultadas rendas nos sectores dos combustíveis, da energia eléctrica e das telecomunicações, todos eles entre os mais elevados da Europa.

Este tolinho Gaspar não é para levar a sério. No mesmo número da retoma, o artista anunciou que o défice do Estado atingiu os 2704 milhões de euros no final de Abril, cerca de 1100 milhões de euros acima do que fora registado no final do primeiro trimestre deste ano e, ainda assim, o sábio Gaspar tornou a insistir que está tudo a correr pelo melhor. Os números teimam em envergonhá-lo constantemente. E Vítor Gaspar tem o péssimo hábito de tratar as pessoas como números. Não admira, portanto, que as pessoas reajam com ele como o fazem os números. Por estes dias, a grande moda em Portugal é gargalhar o Gaspar. Gargalham-no os números e gargalham-no as pessoas. Na falta de um Presidente da República que demita o seu Governo de loucos, resistir é o que resta aos portugueses. Um dia destes, o Gaspar há-de ir-se embora. Diz-se por aí à boca pequena que falta muito pouco.

No vídeo: recepção a Pedro Passos Coelho na Feira do Livro, em Lisboa, no mesmo dia, que culminou com a sua evacuação.

1 comentário:

Mariposa Colorida disse...

O Gaspar foi daqueles europeus que perdeu muito mais de 14 pontos no quociente de inteligência nos últimos anos.