quarta-feira, 15 de maio de 2013

O diabo à solta

Cavaco Silva destacou esta terça-feira os efeitos positivos da aprovação da sétima avaliação da troika para Portugal para declarar que se tratou de uma “inspiração de Nossa Senhora de Fátima”. A fazer fé no que diz o senhor Presidente, o aumento da idade da reforma para os 66 anos, a TSU sobre as pensões de reforma, o aumento do horário semanal de trabalho para as 40 horas e a redução do número de dias de férias aos trabalhadores em funções públicas, todos eles contrapartidas da tranche que o Estado português receberá em resultado da conclusão desta sétima avaliação, bem como os efeitos devastadores desta e de todas as anteriores avaliações sobre a economia portuguesa, que vai implodindo a uma velocidade cada vez maior,  e sobre a destruição de emprego, que cresce na mesma proporção, têm, todos eles, o dedinho da Nossa Senhora de Fátima. Por alguma razão há tanto tempo se falava numa tal santa austeridade. É ela. Já anda a fazer das suas até em França e na Alemanha: a primeira também já entrou em recessão, a segunda para lá caminha. A Holanda está ainda pior e pode provocar o colapso do euro. Esta santa inspira terror, semeia miséria e destruição. O diabo anda à solta e Cavaco ainda agradece. O Palácio de Belém transformou-se num templo satânico. Ainda bem que não acredito em nada de sobrenatural. Não vou ficar à espera que Cavaco se anuncie como porta-voz do divino: o Presidente enlouqueceu de vez.

2 comentários:

De Ferreira Fernandes disse...

Andavam Aníbal e Maria a passear o rebanho, não na Cova de Iria, mas no Poço de Boliqueime, quando viram dois clarões como se fossem relâmpagos. Nesse momento, viram em cima de uma azinheira uma Senhora vestida de branco e mais brilhante do que o Sol. Que disse: "Não tenhais medo." E Maria: "Donde é Vossemecê?" O rebanho não se surpreendeu, já se habituara a ver Maria muito afoita de conversa. O Aníbal é que não percebia nada, porque enquanto a prima via, ouvia e falava com a Senhora, ele só via mas não ouvia. A primita segredou-lhe ao ouvido e então ele virou-se para o rebanho [leitor, por favor, leia os telexes da Lusa para ver que não é o cronista que endoidou] e disse: "Penso que a sétima avaliação foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz." O rebanho ficou espantado: 1) porque não sabia que os primos se tinham casado; 2) porque aquilo era a primeira aparição e não a sétima avaliação; 3) não entendia como a Angela Merkel (os rebanhos são muito prosaicos e o que veem, veem) se aguentava em cima da pequena azinheira. Havia um quarto espanto: como é que o Aníbal para confirmar que pensa, diz o que a Maria lhe diz? Mas o rebanho estava era preocupado com os cortes - em tempos de troika, até os três pastorinhos passam a dois - e com aquele "não tenhais medo" da gorda da azinheira que lhes cheirava a ameaça. Ruminava, o rebanho: isto nem com o Milagre do Sol em Outubro vai lá...


Anónimo disse...

quem sabe se vai acontecer um milagre economico