quarta-feira, 8 de maio de 2013

Está na hora


O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, anunciou nesta terça-feira que o denominado “programa de rescisões amigáveis” de 20 mil Trabalhadores da Administração pública custará entre 300 e 500 milhões de euros. Sobre quanto custarão os contratos de precariedade em outsourcing tradicionalmente manhosos que se tornarão necessários logo a seguir para assegurar os serviços anteriormente desempenhados por estes funcionários, e isto no pressuposto de que alguém aceitará ser despedido amigavelmente num contexto em que não há empregos para ninguém, nada disse.

E tem razões para não o fazer. O Governo planeia pôr os funcionários que não adiram a este programa a trabalhar à borla mais 5 horas por semana, ou seja, 36,5 dias úteis por ano, contando com a supressão de 3 dias de férias: 7 trabalhadores farão o que antes era feito por 8 e, em vez do acréscimo remuneratório que por direito corresponde a mais horas trabalhadas, o Governo ainda teve o descaramento de reservar-lhes uma redução salarial aumentando de 1,5 para 2,25% os descontos para a ADSE, um sistema a liquidar em capítulos seguintes desta saga que se iniciou com o desmantelamento de carreiras no tempo de José Sócrates e que foi prosseguindo, entre outros, com congelamentos de promoções e de prémios, com reduções salariais, com o confisco de subsídios de Natal e de férias, com a supressão da protecção social na doença nos primeiros três dias de baixa médica, e que promete nunca mais parar até que algo de tão radical como os cortes brutais destes últimos anos seja feito para travar o processo.

No post anterior referi a necessidade de avançar para uma greve por tempo indeterminado que derrube este Governo e deponha de uma vez por todas a loucura furiosa com que está a aniquilar o país. É o momento de fazer contas. De comparar quanto é que já custaram a cada trabalhador as sucessivas investidas deste e do anterior Governo sobre os seus salários e sobre os seus direitos. De comparar esse valor com a perda de remuneração associada a uma greve de várias semanas. De verificar que o salário perdido num mês de greve é muito pouco se comparado com uma vida inteira a trabalhar gratuitamente o equivalente a mais 36 dias úteis por ano até a uma idade de reforma que ainda hão-de fixar no dia a seguir à morte. De constatar que uma greve por tempo indeterminado na primeira investida teria evitado todas as perdas que nunca mais pararam de se somar às anteriores.
Está na hora dos sindicatos da Administração Pública se mostrarem à altura deste momento histórico e demonstrarem que não são meros figurantes do jogo viciado que até agora a sua falta de coragem foi permitindo. O momento é agora e já. Investir o subsídio de férias que se julgava perdido e o Tribunal Constitucional devolveu num futuro melhor e no resgate do respeito que os Governos deixaram de ter por uma classe desunida e amorfa. Está na hora de arriscar para não continuar a perder. Garantidamente a perder. Como até agora.

1 comentário:

fb share disse...

É o momento de fazer contas. De comparar quanto é que já custaram a cada trabalhador as sucessivas investidas deste e do anterior Governo sobre os seus salários e sobre os seus direitos. De comparar esse valor com a perda de remuneração associada a uma greve de várias semanas. De verificar que o salário perdido num mês de greve é muito pouco se comparado com uma vida inteira a trabalhar gratuitamente o equivalente a mais 36 dias úteis por ano durante o resto da vida. De constatar que uma greve por tempo indeterminado na primeira investida teria evitado todas as perdas que nunca mais pararam de se somar às anteriores. Está na hora dos sindicatos da Administração Pública se mostrarem à altura deste momento histórico e demonstrarem que não são meros figurantes do jogo viciado que até agora a sua falta de coragem foi permitindo. O momento é agora e já. Investir o subsídio de férias que se julgava perdido e o Tribunal Constitucional devolveu num futuro melhor e no resgate do respeito que os Governos deixaram de ter por uma classe desunida e amorfa. Está na hora de arriscar para não continuar a perder. E vão continuar a perder se nada fizerem.