sábado, 18 de maio de 2013

Diz-me quem te coordena


Depois de um Congresso "unificador" em torno não se sabe muito bem do quê, o Partido Socialista (PS) reúne neste sábado a sua comissão nacional, onde elegerá a nova comissão política nacional e o novo secretariado. E as notícias não poderiam ser muito piores para a convergência que faz falta à esquerda para potenciar a urgente mudança que o país necessita.

Como se não bastasse a liderança de uma personagem como António José Seguro, que, entre outras pantomineirices, pôs o PS a aprovar a ultra-austeridade da regra de ouro que fixa um tecto para o défice orçamental nos 0,5% do PIB e, sem nunca tê-lo assumido como erro, ultimamente se apresenta publicamente como o paladino de um Estado social que seria uma inexistência com uma austeridade levada a esse cúmulo de monstruosidade, o PS chama para número um da sua Comissão Política António Costa e põe Francisco Assis e João Proença no Secretariado Nacional.

Para os mais distraídos, o primeiro foi o intérprete de um episódio rocambolesco de disputa de liderança que terminou com um consenso sobre coisa nenhuma, onde ficou demonstrado que até mesmo alguém com a insipiência de António José Seguro é capaz de pôr-lhe os joelhinhos a tremer na primeira curva.

O segundo, Francisco Assis, foi o homem de confiança do aldrabão que antecedeu Pedro Passos Coelho nos comandos do país, o líder parlamentar socialista durante os anos de retrocesso económico e social que José Sócrates conduziu, e pertence ao grupo de figuras do partido que há bem pouco tempo defenderam a formação de um Governo de coligação PSD-PS como solução para a obtenção de um consenso alargado capaz de salvar o memorando da nossa desgraça e levá-lo até ao fim.

Finalmente, o terceiro é João Proença, a tal espécie de sindicalista que andou pelo país de braço dado com José Sócrates a apresentar as vantagens do Código do Trabalho que generalizou a precariedade em Portugal e, já durante a ocupação externa, terminou a sua carreira de 18 anos de traições aos trabalhadores assinando toda e qualquer porcaria que Pedro Passos Coelho e a troika lhe dessem a assinar, por mais lesiva que essa legislação se pudesse vir a revelar para os seus representados e para o país, como está à vista de todos que acabou por acontecer.

O que esperar, então, de um PS dominado por gente deste calibre, que não denuncia o memorando nem assume quaisquer erros do passado? Dir-me-ão, e eu estarei de acordo, que o PS tem no seu seio gente muito válida como João Galamba, Pedro Nuno Santos ou a independente Isabel Moreira. Porém, por alguma razão não é nenhum dos dois primeiros deste grupo de três e sim o trio acima que estão entre os escolhidos para integrar os órgãos de coordenação política do partido. Depois, no PS existe essa aberração chamada disciplina de voto que põe os seus deputados a votar contra aquilo que minutos antes expressaram ser a favor e vice-versa. Uma coisa é o PS que se deseja, e também eu o desejaria, outra, bem diferente, é o PS que existe. E este PS de Seguro, Costa, Assis e Proença é o PS que existirá a partir de agora. É uma excelente aposta para todos aqueles que queiram transformar as próximas eleições em nova oportunidade para mudar de aldrabão aos comandos dos destinos do país.

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