quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sabe bem pagar tão pouco


30 de Maio de 2013, feriado móvel, dia de Corpo de Deus para os Católicos, dia de santificado descanso para todos. É hoje. Até ao ano passado e durante anos sem conta, sempre foi assim. A partir deste ano, porém, deixará de ser.

Hoje é o primeiro de quatro feriados a que tínhamos direito e deixámos de ter. Vamos todos trabalhar à borla em resultado de uma alegada crença num deus mercado que se acalma quando vê mais dinheiro nas contas de patrões necessitados e menos dinheiro nos bolsos de mandriões estoirados que, segundo os acólitos desta seita, tiveram que ser castigados pelo pecado que lhes atribuem de insistirem em viver acima das suas possibilidades. Como é costume em muitas seitas, o castigo veio em forma de oferenda: quem trabalha sacrifica um dia de lazer e quem emprega ganha um dia em que não tem que pagar a quem trabalha para si nem sequer o combustível das deslocações. Tudo o que hoje for produzido em Portugal terá um custo salarial quase nulo, o que é óptimo. Para quem não tem que pagar.

Este dia dedicado ao culto da transferência de riqueza contará ainda com o alto patrocínio do Estado português: um dia a mais de trabalho nos organismos públicos custará aos contribuintes cerca de 2,5 milhões de euros em subsídios de refeição e outro tanto em electricidade, água, gás, comunicações, material administrativo e outros custos de funcionamento que temos a obrigação patriótica de considerar que não pesarão nas contas públicas. Vamos todos acreditar que o défice orçamental irá encolher assim que souber que hoje trabalhámos para aquecer. O trabalho liberta. Mãos à obra. Bom trabalho, portugueses.

Sem comentários: