segunda-feira, 20 de maio de 2013

Atenção ao caça-parolos

Esta é uma conclusão simples que se retira de um exercício ainda mais simples. O exercício é feliz por conseguir transformar uma grandeza que pouco diz à maioria das pessoas, a comparação entre as receitas fiscais e o PIB, noutra mais fácil de compreender, fazendo corresponder o PIB aos 365 dias do ano para a seguir ser possível identificar no calendário o dia correspondente à mensagem de opressão fiscal que se pretende transmitir.
E qual é o dia do ano a partir do qual deixamos de trabalhar para pagar os juros agiotas que nos são cobrados pelos credores externos e passamos a trabalhar exclusivamente para financiarmos o nosso Estado social? A Saúde e a Educação gratuitas que ainda vamos tendo, e que se não tivéssemos teríamos que pagar com os nossos salários, por acaso não fazem também parte do rendimento das famílias portuguesas? Quantos dias trabalham os europeus para pagarem os juros das suas dívidas públicas e quantos trabalham para pagarem o direito à Saúde, à Educação e à protecção social que em Portugal nunca tivemos?
O “dia da libertação fiscal” dos autores do exercício  ocorre agora mais tarde, apesar do Estado social ter encolhido tanto como encolheu. Faria sentido que o “estudo se debruçasse também sobre estas e outras questões que lhe passam ao lado, como é o caso do peso cada vez maior do serviço da dívida na despesa pública. A omissão compreende-se perfeitamente. Estamos no meio de uma guerra surda contra os direitos sociais e os que lutam do lado de lá da trincheira vão pondo os seus caça-parolos a bombardear o lado de cá com panfletos como este. A verdade é que a estratégia vai resultando e são cada vez mais aqueles que se deixam convencer a atravessar a trincheira para o lado de lá, para aí lutarem contra os seus próprios interesses.

(editado)

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