sexta-feira, 3 de maio de 2013

A desforra


O Primeiro-ministro acaba deanunciar mais um pacote de medidas de incentivo ao desemprego que, pela primeira vez em democracia, inclui um aumento directo do desemprego por decreto: o Governo quer juntar 30 mil funcionários públicos aos 1,5 milhões de portugueses sem emprego e sem esperança de conseguir trabalho nos tempos mais próximos. É um absurdo completo.

Pedro Passos Coelho anunciou ainda um aumento da idade da reforma para os 66 anos, o aumento do horário de trabalho das carreiras do regime geral da Administração Pública das actuais 35para as 40 horas semanais e uma redução do número de dias de férias para os 22, abolindo os dias extra por antiguidade e por idade. Temos, portanto, que os funcionários públicos que não forem despedidos trabalharão à borla mais 36 dias por ano e mais um ano durante a carreira para que 30 mil colegas possam ser despedidos. É ignóbil, imoral e é novamente um roubo. E ainda se dão ao luxo de anunciar mais cortes superiores a 6 mil milhões para próximas núpcias com toda a pompa e circunstância. É um abuso para ser continuado.  

O Governo volta a afrontar o Tribunal Constitucional vingando-se dos chumbos ao OE 2013 exercendo o poder contra o povo que lho confiou. Volta a quebrar promessas eleitorais e, dessa forma, a reduzir ainda mais a legitimidade democrática que há muito perdeu. Volta a sacrificar quem sempre sacrificou e a poupar aos sacrifícios quem sempre poupou. Volta a copiar as receitas de catástrofe que produziram a tragédia grega, reduzindo ainda mais a legitimidade para exigir sacrifícios que comprovadamente só semeiam desemprego e miséria. Volta a apelar a um levantamento popular que corra de vez com todos eles. Está mais do que na hora de lhes fazermos esta última vontade. Os anúncios de hoje só aconteceram porque o povo não reagiu como se impunha a todos os anteriores. Que seja desta vez. Greve geral e todos para a rua, todos os dias que forem necessários. Estes criminosos não podem continuar a destruir o país como querem e porque lhes apetece. Quem ficar em casa ou é inconsciente ou não é bom português.

5 comentários:

Anónimo disse...

O Primeiro-ministro acaba deanunciar mais um pacote de medidas de incentivo ao desemprego que, pela primeira vez em democracia, inclui um aumento directo do desemprego por decreto: o Governo quer juntar 30 mil funcionários públicos aos 1,5 milhões de portugueses sem emprego e sem esperança de conseguir trabalho nos tempos mais próximos. É um absurdo completo.

Ricardo disse...

Mas será que com os trabalhadores dependentes dos sindicatos do sistema(os quais falam muito e ameaçam um pouco mas não fazem)pode haver uma unidade para fazer a tal greve geral(mas mesmo geral)que não seja mais do mesmo(1 dia)?

Anónimo disse...

Já não era sem tempo que se atacassem as reformas chorudas e os privilégios dos funcionários públicos em relação aos do privado apenas porque são funcionários públicos. É claro que antes deviam ser atacados os monopólios energéticos, a banca e as PPP, mas isto era inevitável.

Filipe Tourais disse...

Vocês, os que chamam privilégios a direitos, parecem comunistas no igualitarismo dos mínimos que defendem. Nem a vossa situação melhora e a situação do país piora de cada vez que se retiram direitos a quem trabalha e, como se tem visto,vai calhanddo a vez a todos.
A vossa justiça esquece que quem recebe uma reforma "choruda" também fez descontos chorudos e é uma injustiça tremenda que agora não recebam aquilo para o qual tanto trabalharam.

Francisco Santos disse...

É estranho, mas foi o país que o cavaquismo criou: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu e por aí adiante. Os jovens que são agora levados a exigir que se sacrifiquem os seus pais, os mesmos que os sustentaram com o seu trabalho enquanto eram crianças, esses jovens hão-de ser velhos um dia. E verão os seus filhos exigir o seu sacrifício... bom proveito!