terça-feira, 2 de abril de 2013

Uma carta com 10 milhões de destinatários


Alcides Santos, um gestor de sistemas informáticos que está no desemprego há dois anos, entrega nesta terça-feira na Provedoria da Justiça uma carta onde explica o seguinte: vai deixar de pagar impostos. Nem IMI, pela casa onde habita, nem IRS e IVA, sobre um biscate que fez há uns meses. Invoca o artigo 21 da Constituição da República Portuguesa — o artigo que define o Direito de Resistência — para defender a legitimidade da sua decisão. Alega que acima dos seus deveres como contribuinte está o dever de não deixar os filhos passar fome
. É um apelo à dignidade. É uma carta que, apesar de dirigida ao Provedor, tem muito mais destinatários: os 10 milhões que, mais ou menos mansamente, vamos permitindo que uma quadrilha retire o pão aos muitos Alcides que existem por esse Portugal fora para o entregarem aos agiotas que nos têm a todos seus reféns.  É um apelo que nos confronta com a vergonha de continuarmos a permiti-lo. É realmente incrível como de novas eleições apenas resultaria uma alteração de quadrilha, à qual os 10 milhões renovariam a legitimidade para continuarem a saquear precisamente os mesmos Alcides, para satisfazerem exactamente os mesmos agiotas. Os 10 milhões permitiram que lhes roubassem tudo. Até mesmo a coragem para mudar de vida.


 

3 comentários:

Eusebio de Cesareia disse...

Apoio este Português corajoso !
Há que seguir-lhe o exemplo, pois os bandidos da política estão a espoliar-nos a todos para viverem, parasitariamente, à grande e à francesa... !

Que se faça DESOBEDIÊNCIA CIVIL ao pagamento de IMPOSTOS ! Em curto prazo de tempo iria mudar muita coisa, pois sem os nossos impostos como aguentariam os senhores da governação a falta de dinheiro para os seus belos vencimentos e sumptuosas mordomias...?!

Filipe Tourais disse...

É uma ingenuidade reduzir a questão a vencimentos que nem são assim tão belos e a mordomias que, tal como os vencimentos, não são nada de especial se comparadas com o que acontece noutros países. Se fossem reduzidas a zero, o problema persistiria. O saque a que estamos sujeitos é muitos milhares de vezes esses vencimentos e demais regalias.

Anónimo disse...

Este caso poderia fazer jurisprudencia em Portugal, mas Alcides já encontrou emprego...
Portugueses a passar dificuldades deem a cara e sigam este exemplo... Basta usarem os Média...