quinta-feira, 4 de abril de 2013

Televisão em vez de prisão


Numa entrevista ao programa De Caras, da RTP, o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, quebrou nesta quarta-feira um silêncio de anos sobre os seus processos em tribunal para dizer que “até podia ter apresentado muitos mais recursos” das sentenças que o condenaram do que os 44 que efectivamente entregou. “A justiça portuguesa ilibou-me”, declarou. Tem toda a razão. A condenação a dois anos de prisão efectiva por fraude fiscal e branqueamento de capitais é um pormenor sem importância absolutamente nenhuma enquanto faltar um juiz que se chegue à frente e redija a ordem de prisão respectiva. E o que é que acontece se nenhum o fizer? Nada. Nem ao criminoso, nem ao juiz.  A culpa é toda da comunicação social que se entretém a denegrir a imagem deste valoroso cidadão de uma forma tal que,  vejam só, até o condenaram a ter que ir explicar-se à televisão. Não fosse o dever a mantê-lo em Portugal, não fosse Isaltino tão zeloso dos seus deveres, se fosse outro qualquer e já se teria pirado daqui para fora. Para Moçambique, por exemplo.

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