quinta-feira, 18 de abril de 2013

Surpresa

Hoje amanhecemos com a conferência de imprensa que habitualmente costuma acontecer depois de cada Conselho de Ministros. O CM de ontem prolongou-se por horas pouco mediáticas e os senhores Ministros foram para a cama sem falar aos portugueses. O sentido de Estado às vezes dá-lhe para ser alérgico a povo.
Sobre a conferência de imprensa em si, exceptuando a decisão tornada pública de não privatizar os estaleiros de Viana, os anúncios da transposição de várias directivas comunitárias para o direito nacional e uma redução ridícula nos contratos das PPP, ressaltou a surpresa geral dos jornalistas presentes quanto à forma vaga como decorreu e, sobretudo, quanto ao facto de não terem sido anunciados os cortes selváticos que se aguardavam a título de desforra aos chumbos do constitucional.
Teve o seu quê de diversão verificar que nenhum “especialista” tenha reparado que os cortes já estavam no Orçamento há vários meses, desde que foi aprovado. O Governo optou por não aumentar as dotações orçamentais necessárias para pagar o subsídio de férias aos funcionários da Administração Pública e aos reformados, optando ainda por adiar o problema para Novembro ao trocar o subsídio que está a ser pago em duodécimos, que era o de Natal e passou a ser o de férias. Ou seja, todos os organismos públicos terão que ir buscar o que falta para pagar os subsídios de Natal às demais despesas de funcionamento, cujas dotações já tinham sido objecto de cortes significativos no Orçamento deste ano, e a escolha fica ao seu critério. O dinheirinho há-de começar a faltar lá mais para diante, quem sabe já depois da queda deste Governo.
Para já, foi isto que transpirou do Conselho de Ministros de ontem. A bomba dos 4 mil milhões ficou guardada para quando Gaspar regressar.

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