sábado, 20 de abril de 2013

Sobre um bulldozer cobarde e mentiroso


Pelo que escrevi no post anterior, sinto-me na obrigação de aqui publicar também a versão de  Adelino Calado, dirigente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), sobre a notícia em questão. Adelino Calado classificou como “uma redonda mentira” a informação de que o número de vagas colocadas a concurso “ corresponde às necessidades apontadas pelos directores”, como constava na notícia que então comentei. O caso muda completamente de figura, identificando-se agora claramente a tentativa de dissimulação de um Ministro cobarde e mentiroso que quer mandar para o desemprego 12 mil professores que fazem falta às escolas sem assumir que é o único responsável por essa decisão e que o objectivo do seu Governo é liquidar de veza Educação pública e universal de qualidade, pilar essencial de qualquer democracia, e transformá-la num grande negócio.

Em declarações ao Público, Adelino Calado diz não dispor de dados que lhe permitam confirmar se as mais de 12 mil vagas negativas correspondem às indicações dadas pelos directores face a situações resultantes do encerramento de escolas do 1º ciclo, do aumento do número de alunos por turma, da reforma curricular ou dos mega-agrupamentos. Mas garante que lhe bastou ligar “para vinte e tal directores”, seus colegas, para verificar que “em absolutamente nenhum caso o pedido de lugares no quadro foi atendido”.

“Um exemplo: para Matemática pedi cinco vagas e deram-me duas; para Português pedi cinco e deram-me uma”, indicou o director do Agrupamento de Escolas de Carcavelos, que assegurou que, por questões legais, “nunca um professore arriscaria pedir mais vagas do que as estritamente necessárias”. Tal como Adelino Calado, José Eduardo Lemos, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) aponta o que se passa na sua escola, na Póvoa do Varzim: “Contava com três lugares no quadro para Filosofia e não abriram sequer uma vaga. Isto não elimina as necessidades – elas continuam a existir”, disse.

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