segunda-feira, 8 de abril de 2013

Quando morre um monstro


Morreu hoje uma "heroína" que mandava a sua polícia carregar selvaticamente sobre mineiros desarmados cujo único crime era o de exercerem o direito à greve para lutarem pelo seu ganha-pão e pela dignidade das condições em que trabalhavam. Morreu aquela que vendeu um dos melhores Estados sociais de todo o mundo a uma finança que passou a lucrar sempre que um inglês adoece e sempre que uma criança atinge a idade escolar. Morreu aquela que retirou aos ricos o fardo de terem que pagar o direito à Saúde e à Educação de pobres e remediados, que passaram a tê-las como esmola e não como direito, que passaram a pagá-las do próprio bolso ou, caso o dinheiro não chegue para tanto, passaram a tê-las na versão com qualidade para pobre e não na versão com a qualidade que todos merecem, independentemente das suas posses. Entendo que os ricos venerem Margaret Thatcher e lhe façam todos os elogios e mais alguns na hora da sua morte. Já não entendo que pobres e remediados alinhem nesse coro dedicado a uma "santa" que jamais o seria para quem não é rico, sobretudo na hora que vivemos de desmantelamento das raspas de Estado social que tivemos e da versão minimalista de Estado do bem-estar, que nunca chegámos a conhecer verdadeiramente. Margaret Thatcher morreu aos 87 anos. A grande maioria dos ingleses teriam hoje uma vida incomparavelmente melhor se tivesse morrido à nascença. Na Inglaterra e Escócia, centenas de milhar festejaram a morte do monstro.

(editado, actualizado com a última frase e o link respectivo) 

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