sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Sentido de Estado" e a novilíngua dos ajoelhados

Nos últimos dias, foram notícia, primeiro, um relatório sobre uma dívida no valor de 162 mil milhões de euros, relativa a indemnizações de guerra, que a Alemanha nunca pagou à Grécia, depois, o secretismo em que o relatório foi mantido pelo Governo grego e, finalmente, a subserviência do compromisso assumido publicamente pelo mesmo de abdicar de reclamar essa dívida nas negociações da entrega das próximas tranches do resgate grego. “Sentido de Estado”, como se diz agora.
E hoje ficámos também a saber que poderá não ser só a Grécia que tem dinheiro a receber da Alemanha por indemnizações da II Guerra Mundial. O historiador Filipe Ribeiro de Meneses recorda que o Tratado de Versalhes fixou em cerca de mil milhões de marcos-ouro, hoje cerca de 2,3 mil milhões de euros, o valor a pagar pela Alemanha a Portugal e, ainda segundo o mesmo historiador, pouco deste dinheiro entrou nos cofres do Estado devido às sucessivas revisões da dívida alemã. Estes 2,3 mil milhões de euros, cerca de 1,8% do PIB,  Davam para cobrir o valor do chumbo do Tribunal Constitucional às normas constitucionais do OE 2013 e ainda sobravam mil milhões de euros.
Filipe Ribeiro de Meneses diz que, nesses tempos em que Portugal ainda exigia, as pretensões de Afonso Costa, representante português em Versalhes, em relação à Alemanha eram de 8 mil e 500 milhões de marcos-ouro, oito vezes mais que  o valor obtido, "pois a guerra tinha causado  a morte de 273.547 portugueses da metrópole e colónias, uma cifra que os Aliados rejeitaram por completo". Afonso Costa ainda recorreu à arbitragem internacional mas a Alemanha acabou por ganhar a batalha legal. Entretanto, a Alemanha nunca mais pagou. Evidentemente, nunca pagará se ninguém o exigir como a Alemanha exige aos demais. Para continuar a acumular destruição, agora sem necessitar de disparar uma única bala.

(editado) 

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