quarta-feira, 3 de abril de 2013

Austeridade censura austeridade


Hoje, a nossa democracia vive um momento insólito: uma moção de censura apresentada por um partido que defende austeridade contra um Governo suportado por outros dois partidos que também defendem austeridade. Claro que nem os próprios, nem a imprensa apresentam a coisa assim. Estranha-se é que a esquerda, verdadeiramente esquerda, fora desta solução de fracasso, também não o faça. As suas estratégias de comunicação não colocam a questão das escolhas nas eleições que todos pressentimos para breve nos termos próprios: austeridade ou alternativa? Ao não o fazerem, juntam-se ao insólito. Provavelmente, ainda não se deram conta de que esta dicotomia não é nenhuma evidência para a grande maioria dos portugueses. Ou então deram e não o fazem por alguma razão, o que não melhora nada o cenário. Há centenas de milhar de portugueses que se perguntam o que fazer à vida e a resposta política, já se viu , não aparecerá neste dia insólito desta democracia insólita. E poderia começar a aparecer. Pelo menos começar. Continua a haver demasiada gente convencida de que o contrário de votar austeridade é não votar austeridade. A abstenção vai permanecendo impermeável à alternativa, permeável a uma austeridade que inventa falsas diferenças para sobreviver. E o país a desfazer-se em fanicos. 
(editado)

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