quarta-feira, 10 de abril de 2013

Alarme na Educação


Num momento em que o Governo anuncia mais cortes na despesa pública, o Conselho Nacional de Educação (CNE) é peremptório na reivindicação de um maior investimento naquele sector. Na introdução ao relatório anual, que é tornado público nesta quarta-feira, a presidente daquele órgão, Ana Maria Bettencourt, frisa que "a melhoria dos resultados educativos e a consolidação dos patamares já alcançados não se compadecem com o abrandamento do esforço ou com políticas errantes". Segundo Ana Maria Bettencourt, basta olhar para o próprio relatório agora divulgado e para os números para se chegar a uma conclusão: quando verificamos que em 2012, em termos reais, o Orçamento de Investimento na Educação está ao nível que se verificava em 2001.

"É com preocupação que se assiste à diminuição significativa do investimento no sector da Educação, traduzida na redução dos meios financeiros e dos seus recursos humanos", escreveu Ana Maria Bettencourt na introdução do documento, referindo-se à quebra de 16 pontos percentuais no orçamento para 2012 em relação ao de 2011 e à redução do número de professores. Sem antecipar o aumento do desemprego previsto pelos sindicatos e a ameaça da mobilidade especial, a presidente do CNE aponta, para justificar a sua preocupação, os dados do relatório de Janeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o ano passado, em que, cita, Portugal terá perdido 11.065 professores dos ensinos básico e secundário.


1 comentário:

Anónimo disse...

Sobre a avaliação externa das escolas escreveu o, também, Presidente do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino, na qualidade de (Docente do ensino liceal/secundário de 1970 a 1982; Inspector da IGE de 1982 a 2009; aposentado há três meses e meio)
“A entrevista em painel é o método essencial usado pela equipa de avaliação externa para dialogar com a comunidade educativa e para recolher informação”, diz o documento oficial da IGE sobre a matéria.
Mas estamos a falar de painéis que – tendo em conta a sua duração global, o número de questões e o número de participantes que potencialmente implicam – concedem uma média de 33 (trinta e três!) segundos a cada participante/questão/painel, e estamos a partir do princípio absurdo de que a equipa inspectiva não abre a boca, isto é: 33 (trinta e três!) segundos para, apenas ouvindo, “dialogar” e “recolher informação”.
É querer meter o Rossio na Betesga! Isto não é um painel – isto é um contra-relógio.
No plano científico, painéis deste tipo não podem senão ser classificados, na melhor das hipóteses, como “etnográficos” ou “impressionistas” – mas, em contrapartida, exige-se aos Inspectores que desses painéis resultem relatórios objectivos e afirmativos, com todas as ponderosas consequências que atrás enunciámos.
A Educação do meu Umbigo (http://educar.wordpress.com/2010/01/17/opinioes-jose-calcada/).
Quanto custam os painéis “etnográficos” ou “impressionistas”, com a participação de 80 inspectores e 66 peritos externos, e os respetivos relatórios?