quarta-feira, 10 de abril de 2013

Afinal, o homem está vivo

Nem uma palavra sobre as ameaças de Passos Coelho de Sábado passado. Nem uma palavra sobre as observações indecorosas de certos senhores da troika relativamente a um órgão de soberania de um país soberano, por casualidade, precisamente aquele a que preside e do qual é o seu representante máximo. Nem uma palavra sobre o sequestro de Vítor Gaspar na Segunda-feira das instituições democráticas cujo funcionamento regular jurou garantir. O Presidente da República tem mais com que ocupar-se. Por exemplo, viajar. Viajar para bem longe. Viajar com uma grande comitiva, como um grande imperador que não é. Entre 15 e 19 de Abril, Cavaco Silva vai ao Peru e à Colômbia e leva consigo representantes da Galp, Mota-Engil, Visabeira, Martifer Solar, Sonae Sierra, Teixeira Duarte, BES, Banco Finantia, Caixa Banco Investimento, BBVA, Vieira de Castro, Refer, Futebol Clube do Porto, Cifial, Corticeira Amorim, Douro Azul, Efacec, Frezite, Universidade Católica, são 48 entidades a multiplicar por um número indeterminado de elementos por entidade. Quem paga tudo, não sei. Mas imagino. E tenho uma certa dificuldade em identificar em que é que cada uma das entidades da comitiva representa cada um de nós, uma dificuldade que cresce ao tentar perceber qual é o retorno esperado do investimento numa viagem com tanta gente na melhoria de vida dos portugueses que ficam em terra a aguentar as loucuras de um Governo que sobrevive no poder porque o Presidente se finge de morto quando está no seu país. Pelo menos ficamos a saber que no Peru e na Colômbia viverá momentos felizes. Afinal, o homem está vivo.

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