sexta-feira, 12 de abril de 2013

A estrela da manhã


Quem leia os jornais da manhã fica com a ideia de que se reúnem todos na noite anterior para chegarem a um consenso sobre o que publicar na manhã seguinte. A máquina de propaganda do Governo não haja dúvidas que trabalha bem. Ontem, a estrela da manhã eram as tais "poupanças", nome que traduz o carinho a dispensar por todos aos cortes selváticos com que o Governo se prepara para liquidar de vez o nosso Estado social e que são tudo menos poupanças, não custassem elas tantas vidas destruídas, tantas empresas encerradas, tantos recordes sucessivos no desemprego, o maior crescimento da dívida pública da história da democracia e não menos vistosa recessão. Mas adiante.

Hoje já é hoje e a estrela da manhã é Miguel Poiares Maduro, o super-ministro que irá concentrar numa pessoa só, entre outras, a coordenação política interna do Governo, os milhões da Europa, a coordenação com os caciques locais das freguesias e a tutela da comunicação social das estrelas da manhã. Li o que o senhor Ministro pensa sobre a nossa Constituição, diz ele que um dos maiores entraves à mobilidade social no nosso país, e, vistas as coisas assim, sou forçado a render-me a tão gritante evidência: para baixo também é mobilidade.

E é a partir daqui que divergimos. O seu Governo tentou promover essa mobilidade para baixo confiscando salários a trabalhadores em funções públicas e a reformados. A Constituição travou-o e daí a revisão constitucional que defende este especialista em mobilidade social. Mas o seu Governo está a ter enorme sucesso em atirar centenas de milhar de portugueses para o desemprego e em moldar o salário e as condições de trabalho, que passaram a aceitar, ao desespero causado pela redução das protecções sociais que o mesmo Governo também reduziu. Em princípio, a nossa Constituição não deveria permitir este tipo de mobilidade. A revisão que todos necessitaríamos seria neste e não no sentido oposto,  porque notoriamente não temos uma Constituição que consiga travar a loucura furiosa de um  Governo que está a destruir o seu país e acelerou a mobilidade de centenas de milhar de portugueses para a pobreza mais extrema. E que - piegas - ainda se queixa que a Constituição não lhes permite fazer ainda pior. Para melhor, sempre. Para pior, já basta assim.

1 comentário:

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Quem leia os jornais da manhã fica com a ideia de que se reúnem todos na noite anterior para chegarem a um consenso sobre o que publicar na manhã seguinte. A máquina de propaganda do Governo não haja dúvidas que trabalha bem. Ontem, a estrela da manhã eram as tais "poupanças", nome que traduz o carinho a dispensar por todos aos cortes selváticos com que o Governo se prepara para liquidar de vez o nosso Estado social e que são tudo menos poupanças, não custassem elas tantas vidas destruídas, tantas empresas encerradas, tantos recordes sucessivos no desemprego, o maior crescimento da dívida pública da história da democracia e não menos vistosa recessão. Mas adiante.
Hoje já é hoje e a estrela da manhã é Miguel Poiares Maduro, o super-ministro que irá concentrar numa pessoa só, entre outras, a coordenação política interna do Governo, os milhões da Europa, a coordenação com os caciques locais das freguesias e a tutela da comunicação social das estrelas da manhã. Li o que o senhor Ministro pensa sobre a nossa Constituição, diz ele que um dos maiores entraves à mobilidade social no nosso país, e, vistas as coisas assim, sou forçado a render-me a tão gritante evidência: para baixo também é mobilidade.
E é a partir daqui que divergimos. O seu Governo tentou promover essa mobilidade para baixo confiscando salários a trabalhadores em funções públicas e a reformados. A Constituição travou-o e daí a revisão constitucional que defende este especialista em mobilidade social. O seu Governo está a ter enorme sucesso em atirar centenas de milhar de portugueses para o desemprego e em moldar o salário e as condições de trabalho que passaram a aceitar ao desespero causado pela redução das protecções sociais que o mesmo Governo também reduziu. Em princípio, a nossa Constituição não deveria permitir este tipo de mobilidade. A revisão que todos necessitaríamos seria neste e não no sentido oposto, porque notoriamente não temos uma Constituição que consiga travar a loucura de um Governo que está a destruir o seu país e acelerou a mobilidade de centenas de milhar de portugueses para a pobreza mais extrema. E que – piegas – ainda se queixa que a Constituição não lhes permite fazer ainda pior. Para pior, já basta assim.