quarta-feira, 17 de abril de 2013

À espera do Presidente


Depois das reuniões da manhã, lá mais para a tardinha, os nossos homens deram sinais de vida.

Para já, e apenas para já, António José Seguro foi dando umas no cravo, dizendo que não há nada de novo e que o PS continua a divergir com o Governo nos caminhos para superar a crise, para ir dando outras na ferradura, deixando no ar expressões como "corrigir a austeridade" e "cumprir com os compromissos internacionais". O PSD, por seu lado, aproveitou esta última ferradura do PS para dar umas no cravo da sua inesperada abertura para negociar: "o Governo manifestou e manifesta toda a disponibilidade para novas reuniões, em formatos e metodologias a definir em acordo com o PS com vista a "promover um consenso num alargado leque de matérias no quadro do respeito das obrigações internacionais".

Temos, portanto, de um lado, mais tranquilo, o PS à espera de eleições agarrado a um memorando do qual ainda não se desvinculou e, do outro, mais aflito e órfão de parceiro de coligação, o PSD a ver como consegue evitar eleições, cantarolando aqueles refrães que falam em "diálogo" e em "consenso nacional" tão do agrado do inquilino de Belém. Ambos percebem que a margem de manobra de Cavaco para continuar a ignorar a crise política se vai reduzindo todos os dias. Um dia destes, uma vez na vida, não terá outro remédio que não o de ser Presidente e dissolver uma Assembleia da República cuja composição já nada tem que ver com a vontade dos portugueses. Que não se demore. Tem um país inteiro à espera de poder voltar a ambicionar um mínimo de normalidade.

1 comentário:

fb disse...

Temos, portanto, de um lado, mais tranquilo, o PS à espera de eleições agarrado a um memorando do qual ainda não se desvinculou e, do outro, mais aflito e órfão de parceiro de coligação, o PSD a ver como consegue evitar eleições, cantarolando aqueles refrães que falam em "diálogo" e em "consenso nacional" tão do agrado do inquilino de Belém. Ambos percebem que a margem de manobra de Cavaco para continuar a ignorar a crise política se vai reduzindo todos os dias. Um dia destes, uma vez na vida, não terá outro remédio que não o de ser Presidente e dissolver uma Assembleia da República cuja composição já nada tem que ver com a vontade dos portugueses. Que não se demore.