sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Cultura é um perigo


A cultura portuguesa recebeu duas más notícias durante o dia de ontem: este ano não há Feira do Livro no Porto, devido ao corte do financiamento camarário; e Cavaco Silva foi inaugurar a Feira Internacional do Livro de Bogotá, onde será lançado um livro inédito de Saramago, sem se referir uma única vez ao Nobel português da Literatura.

A alergia de Cavaco Silva a José Saramago não vem de agora. Cavaco Silva sofre desse enorme problema de nunca conseguir ser Presidente devido à sua incapacidade de deixar de ser aníbal e, dada a infeliz coincidência do aníbal em causa ainda por cima ser um anão pequenino e mesquinho, ressalta sempre à vista de todos que as vestes de Presidente lhe ficam demasiado grandes. O mesmo para Rui Rio,, cuja preferência por corridas de automóveis, conjugada com uma alergia congénita à Cultura e à democracia, o levam a tomar decisões tão cheias de músculo como desprovidas de tudo o resto: paga a feira do livro, sofre a melhor cidadania que pôs de pé um projecto tão bonito como o da escola da Fontinha, enriquecem Oliveiras e Espíritos Santos com o desalojamento à força de centenas de famílias de um lugar com vistas demasiado boas para a sua condição de pobreza.

Em ambos os casos, que infelizmente não são inéditos, ressalta a falta que faz a estas duas figurinhas, também ao povo que não hesita em lhes renovar o poder que têm apesar da sucessão de abusos, a convivência com os valores humanistas e de Justiça social que são transversais em toda a obra de Saramago e de tantos outros autores. A Cultura e as festas da Cultura como as feiras do livro são realmente um perigo.

2 comentários:

fb share disse...

A alergia de Cavaco Silva a José Saramago não vem de agora. Cavaco Silva sofre desse enorme problema de nunca conseguir ser Presidente devido à sua incapacidade de deixar de ser aníbal e, dada a infeliz coincidência do aníbal em causa ainda por cima ser um anão pequenino e mesquinho, ressalta sempre à vista de todos que as vestes de Presidente lhe ficam demasiado grandes. O mesmo para Rui Rio,, cuja preferência por corridas de automóveis, conjugada com uma alergia congénita à Cultura e à democracia, o levam a tomar decisões tão cheias de músculo como desprovidas de tudo o resto: paga a feira do livro, sofre a melhor cidadania que pôs de pé um projecto tão bonito como o da escola da Fontinha, enriquecem Oliveiras e Espíritos Santos com o desalojamento à força de centenas de famílias de um lugar com vistas demasiado boas para a sua condição de pobreza.

Anónimo disse...

Diz muito bem, o homem = "anao pequenino e mesquinho..."