terça-feira, 19 de março de 2013

Um país de Belmiros, graças a Deus


"Diz-se que não se devem ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Não sei por que não. Porque se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém". A frase é de Belmiro de Azevedo, numa conferência onde defendeu ainda aquilo que considera ser uma "vantagem comparativa" para Portugal face aos países concorrentes. É perfeitamente natural que Belmiro de Azevedo defenda este ponto de vista. A exploração do trabalho é uma das suas minas. A outra é uma proximidade ao poder que, ao longo dos anos, lhe proporcionou negócios escandalosamente proveitosos e até a possibilidade de registar os seus lucros num país com um regime fiscal mais favorável. O Clube de pensadores onde falou existe precisamente para difundir os mitos que ajudam os Belmiros a enriquecer a salvo de qualquer sobressalto. Aqueles "toda a gente sabe", por exemplo, que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço, onde "comunistas" deve ser lido como todo e qualquer um que se atravesse na sua rota da fortuna obtida seja lá com que vigarice for.
Comunistas, Verdes e Bloco de Esquerda propuseram mecanismos fiscais para impedir que os Belmiros deixassem de contribuir com os seus impostos para que as crianças portuguesas tenham direito, entre outros, ao seu pequeno-almoço. PSD, PS e CDS recusaram, mas nem por isso o mito morreu. Os comunistas continuam a comer criancinhas ao pequeno almoço, apesar de serem os Belmiros a roubar os pequenos-almoços às criancinhas, quer através dos salários baixos que pagam e da precariedade que praticam, quer através das contribuições que deixaram de pagar graças aos seus amigos que se eternizam no poder à sombra dos mitos que os portugueses não têm a coragem de pôr para trás das costas. E os Belmiros lá se vão safando e enriquecendo à custa do empobrecimento de todos os demais. Somos um país de Belmiros, graças a Deus. Não podemos deixá-los fugir, sob pena de vermos reabertos os pequenos comércios das nossas cidades que antes criavam emprego e retribuíam com impostos o enriquecimento proporcionado pela sociedade a que pertenciam.

(editado)

1 comentário:

Anónimo disse...

"Se não for a mão de obra barata não há emprego para ninguém."

Mas se não fossem os Belmiros safardanas e gananciosos também não haveria crise económica para ninguém.

Cumprimentos