terça-feira, 26 de março de 2013

PS: we love you troika

A segunda carta de António José Seguro à troika, sobre a moção de censura que o PS apresentará em breve, é tão patética como a primeira e como os termos da própria moção. É completamente ridículo dizer à troika “nós queremos derrubar o Governo”. É um vexame nacional o tom de “mamã dá licença” que apresente uma moção de censura em que é escrita. E é ainda mais imbecil dizer “nós queremos renegociar o memorando” e juntar-lhe um “mas podem estar tranquilos que vamos cumpri-lo”, que mais não é que um “queremos renegociá-lo, mas serão vocês a dizer-nos o que é que podemos exigir sem que se zanguem muito connosco”. "Nós somos responsaveizinhos". 
O rumo que o país leva desviar-se-ia tanto com a remodelação ministerial que certos sectores do CDS e do PSD reclamam como substituindo o Governo de Pedro Passos Coelho por outro de António José Seguro. Nada. Tal como PSD e o CDS, o PS continua a falar em “reforçar a confiança” e em “manter os compromissos com os credores externos”, dois sinais inequívocos do propósito de insistir no fracasso. O problema de um país asfixiado pela austeridade não se resolve mudando os actores, porque o problema está nas políticas, as únicas que esta amálgama de imprestáveis aceita como caminho, com ou sem as cartas abertas ao Pai Natal fora de época que os distingue. António José Seguro também não quer rasgar o memorando. É isto que deve recordar quem não queira voltar a ser Pai Natal.

1 comentário:

Alexandre de Castro disse...

Bem visto, Filipe Tourais. Nada se faz neste país sem a autorização da troika. AJS acabou por evidenciar aquilo que já nós sabíamos. Aceita sem pestanhejar alienação da soberania de Portugal.