terça-feira, 5 de março de 2013

Um Magnífico cheiro a óleo rançoso


Hoje, acordei com a lembrança de um tempo de vergonha em que - não só mas sobretudo - o Algarve ganhou fama pela prática generalizada de preços diferenciados para portugueses e para estrangeiros. é que da mesma rádio pública onde, religiosamente, todas as manhãs vai para o ar uma rubrica criada para incentivar a emigração em que são transmitidos relatos na primeira pessoa de experiências exclusivamente bem sucedidas de "portugueses lá fora", saltou para os meus ouvidos a notícia de uma proposta da autoria do Conselho de Reitores, prontamente aceite pelo Ministério da Educação, no sentido de incluir no estatuto do aluno estrangeiro  a possibilidade dada às universidades portuguesas de cobrarem propinas mais elevadas a alunos extra-comunitários. Deve ser este o tratamento que desejam que os países extra-comunitários dispensem aos nossos que partem. 
Questões jurídicas à parte, dá a ideia que os Magníficos gerem as suas universidades como se fossem roulottes de batatas fritas que hoje estão aqui e amanhã estão ali. Dá a ideia que entre eles graça uma inconsciência tal que acreditam que será com receitas cobradas a um número muito reduzido de alunos extra-comunitários que resolverão o problema do subfinanciamento do Ensino Superior português. E fica claro que tanto reitores como o Ministro comungam do mesmo desconhecimento da quantidade de anos que o Turismo algarvio perdeu a recuperar da má fama que adquiriu ao longo das décadas de 80 e 90, quando a esperteza de empresários pouco escrupulosos a desbaratou em cartas com preços em função da língua em que estavam escritas. O Governo diz que está a reforçar a credibilidade de Portugal "lá fora". E os de cá são livres para acreditarem no que quiserem enquanto não se dêem conta de tudo o que essa credibilidade terá que recuperar destes anos de "empreendedorismo" saloio e contas públicas em derrapagem constante e sempre a acelerar.

(editado)

2 comentários:

Anónimo disse...

Na Suécia tb é assim desde há poucos anos, talvez dois. É caríssimo para alunos extracomunitários.

Filipe Tourais disse...

A doutrina do ensino-mercadoria não é exclusiva dos nossos governantes. E imitar os maus exemplos num contexto de emigração em massa é uma excelente ideia também para incentivar quem acolhe os nossos a pagar com a mesma moeda.