quinta-feira, 14 de março de 2013

Notícias da "zona de conforto"

Ao longo dos nove primeiros meses do ano passado, apenas 0,4% – um em cada 250 – dos postos de trabalho existentes em Portugal estava oficialmente vago. Este resultado faz de Portugal o país da União Europeia com a taxa de vagas mais baixa durante esses três trimestres, com uma média quatro vezes inferior à da Zona Euro. É mais esta estatística negra que devemos ter presente sempre que ouçamos algum membro do Governo defender a redução das indemnizações por despedimento e da protecção social no desemprego com aquela conversa do combate à preguiça que tanta receptividade vai obtendo nos sectores mais moralistas e reaccionários da nossa sociedade.
Os números mostram que aquela zona de conforto, onde alegadamente se refugia toda a espécie de malandros que não quer outra vida senão receber o seu sustento sem trabalhar, apenas existe na cabeça de um Governo que já destruiu mais de 300 mil empregos em apenas sete trimestres, período durante o qual a taxa de desemprego aumentou 5,1%, de 12,5% para 17,6%. Se quisermos falar em preguiça, concentremo-nos na de todos aqueles cuja compreensão se recusa a absorver dados como este: em Janeiro de 2013, o IEFP de Lisboa e Vale do Tejo registava 2034 ofertas de emprego para 272.776 candidatos, 0,007 vagas por candidato, 134 candidatos por vaga. Como sair da “zona de conforto” se não há empregos?

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