segunda-feira, 18 de março de 2013

Ideias novas, erros antigos

Numa daquelas conferências por convite, com um impacto ainda indeterminado na forma como são distribuídas as dotações orçamentais pelas instituições do Ensino Superior, Passos Coelho foi falar a uma plateia que o recebeu com protestos sobre o programa de rescisões amigáveis com que o seu Governo diz querer reformar o Estado. Sem entrar em grandes detalhes, Passos Coelho revelou que o programa abrangerá, numa primeira fase, as categorias profissionais que até agora assistiram com compreensão ao que o Governo tem feito aos seus colegas com salários mais elevados como se não fosse nada consigo: ASSISTENTES OPERACIONAIS E ASSISTENTES TÉCNICOS ficaram finalmente a saber que afinal também era com eles. É sempre com todos
Pedro Passos Coelho referiu-se ao seu programa de despedimentos como uma oportunidade para tornar a Administração Pública mais qualificada. Voltou a revelar desconhecimento. Alterações anteriores do mesmo género, como o congelamento de admissões, revelaram-se uma mina para empresas de sectores como limpeza, manutenção e vigilância e segurança e, na mesma proporção, um acréscimo de custos para um sector público que, para além de pagar os salários que pagaria caso contratasse directamente para os seus quadros os trabalhadores que desempenham essas funções, passou a pagar também o lucro a que tem direito uma espécie de empreendedores com bons contactos junto de decisores, geralmente nomeados políticos, com plenos poderes para adjudicarem os seus serviços através do tradicional ajuste directo (vídeo aqui). Passos Coelho deu uma conferência para mostrar novamente ao país a qualificação imediata que ocorrerá no minuto seguinte à sua demissão. Já toda a gente o percebeu. Venha a demissão. Mais conferências não acrescentam nada.


Actualização: ao fim da noite, o Governo tornou público um "estudo" por si encomendado a uma consultora onde os salários pagos no sector público aparecem inflacionados para produzir uma notícia que diz que "carreiras técnicas e pessoal administrativo são mais bem pagas no Estado" do que no sector privado. Mais dinheiro investido em propaganda. Mais impostos desviados da Saúde, Educação, Cultura e protecção social para fomentar guerras entre trabalhadores do público e trabalhadores do privado. O costume. Receita gasta mas ainda eficaz junto de um público caracterizado pela capacidade que tem em acreditar naquilo que quer. Significado do "estudo": vem aí ainda mais outra revisão salarial na Administração Pública, desta vez com cortes para toda a gente.

2 comentários:

Luis Moreira disse...

O outsourcing é mais caro? Será por isso que as grandes empresas entregam as actividades acessórias ao exterior e se concentram no "core business"?

fb disse...

O outsourcing pode ficar mais caro, pode, por exemplo quando quem decide não perde dinheiro do seu bolso com as decisões que toma a favor de bolsos amigos. Eu conheço instituições públicas onde o serviço prestado por um vigilante, que se fosse do quadro custaria 7 mil euros anuais custa 43 mil e tal euros, o equivalente a quase 3 técnicos superiores.
O outsourcing também nem sempre se justifica, como é o caso do Estado, em que há que despedir para substituir serviços internalizados por serviços externalizados, com todos os custos financeiros e sociais que a transformação acarreta.