segunda-feira, 4 de março de 2013

Eles comem tudo





A soma das fortunas dos três empresários portugueses presentes na lista dos mais ricos do mundo aumentou no último ano para 8550 milhões de dólares (6573 milhões de euros). Segundo o ranking divulgado nesta segunda-feira pela revista Forbes, Américo Amorim continua a ser o português com o maior valor patrimonial, mas apenas Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo viram as suas fortunas engrossar. Os três amigos da Holanda – é lá que registam os lucros das suas empresas – são ainda campeões da exploração. Quem trabalha para eles tem salários tão baixos e vínculos tão precários que o trio nem os chama "trabalhadores": são simplesmente "colaboradores". É assim que se faz fortuna em tempos de crise, através de uma concentração de riqueza fomentada por poderes públicos que também se opõem à criação de mecanismos fiscais que impeçam que quem enriquece em Portugal possa pôr os seus lucros a pagar impostos noutros países com regimes fiscais mais favoráveis. Aos impostos, que os pague quem também já é explorado. Para o trio, ao qual se junta uma Isabel feita de diamantes de sangue, os Governos do centrão reservam-lhes a liberdade para explorar trabalhadores e pequenos fornecedores, a liberdade de escolha das suas sedes fiscais,  privatizações a preços de saldo, rendas obtidas nessas privatizações e injecções de capital em bancos que não concedem crédito a mais ninguém senão a estes donos de Portugal. É isto que vem na lista. Somos todos nós que lá estamos. É o contrário de orgulho nacional.

(editado)

1 comentário:

Como dizia o Zeca disse...

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas

São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não