sexta-feira, 15 de março de 2013

E se as eleições fossem hoje


Os dados do barómetro de Março de 2013 do CESOP/UCP, para o DN/JN/Antena 1/RTP apontam uma subida de 4% nas intenções de voto no PSD, para 28%, relativamente a Setembro. Também no arco da austeridade, que continua a somar 64% das intenções de voto, o PS estabilizou nos 31% e o CDS cai 2%, para os 5%. Fora da troika interna, CDU e Bloco registam quebras respectivamente de 1 e 3%, para os 12 e 8%, reflexo da relutância em se aproximarem e constituírem uma frente de esquerda de mobilização anti-troika que arranque votos à abstenção, a que também não será estranha, no caso do Bloco, a opção esteticamente perfeita pela liderança bicéfala que resulta na perda de credibilidade e de votos e, no caso da CDU, a cristalização ideológica e a insistência numa linguagem datada e obsoleta incapaz de despertar entusiasmos.
Digno de registo é o facto da sondagem ter sido realizada na semana a seguir aos protestos de 2 de Março, a mesma em que o Governo foi acusado de não saber ouvir a rua. A sondagem mostra que a rua também não sabe ouvir-se a si própria ou, pelo menos, demonstra que o Governo pode perfeitamente continuar surdo ao que lhe diz uma rua que não se mobiliza para ser uma ameaça eleitoral que se faça ouvir: os três partidos pro-austeridade continuam a registar 64% das intenções de voto.
Há, no entanto, algo novo nesta sondagem: a implosão do CDS torna-o completamente inútil para garantir uma maioria absoluta. Não é à toa que ultimamente no PS se vão ouvindo vozes, quer mais à direita, como a de Francisco Assis, quer mais à esquerda, como a de Paulo Pedroso, que manifestam abertura para a formação de uma coligação PSD-PS, a única que garante uma maioria absoluta à luz da aritmética eleitoral que a sondagem de hoje nos dá a conhecer. Caso houvesse eleições nos próximos tempos, os dois partidos seriam obrigados a deixar de alimentar a fantasia das diferenças que são cada vez mais imperceptíveis entre ambos e assumir de uma vez por todas que são duas faces de uma mesma moeda. Não me parece que seja um cenário muito animador. Se nos deixa a certeza de uma preferência maioritária pela solução austeritária que está a destruir o país, a sondagem de hoje deixa-nos também a pairar no horizonte a ameaça de uma maioria qualificada com ampla liberdade para moldar a Constituição e o sistema eleitoral às conveniências partilhadas por dois partidos com provas dadas de incapacidade e de captura pelos interesses que prosperam à sua sombra. "Ai aguentam, aguentam", disse alguém uma célebre vez. A troika acaba de dizer pela sétima vez que o programa português está no bom caminho. Apenas 20% de eleitores se recusam a continuar a aguentar.  










CDS
5%

33%
64%


PSD
28%
59%


PSD
31%



BE
8%
20%
31%


CDU
12%


Brancos e nulos
11%





4 comentários:

menvp disse...

Manifestações em todo o país (eventualmente uma greve geral)
-> São necessárias manifestações em todo o país (eventualmente uma greve geral)... tendo em vista alterações à Constituição... que permitam uma Mudança de Paradigma Democrático:
- RETIRAR PODERES AOS POLÍTICOS... e... um sistema menos permeável a lobbys.
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-> As manifestações em causa... não terão nada a haver com as manifestações à CGTP... por motivos óbvios:
- as manifestações à CGTP visam o perpetuar/eternizar da parolização do contribuinte: queda de governos semestre sim, semestre sim,... leia-se, 'mudar as moscas'... ficando o sistema inalterável (vira o disco e toca o mesmo): um sistema aonde os lobbys manobram sempre a seu belo prazer... e... aonde, ao passarem a «ex-», os governantes terão belos 'tachos' à sua espera.
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Anexo:
Não é muito difícil de perceber que é um imperativo... RETIRAR PODERES AOS POLÍTICOS (e um sistema menos permeável a lobbys):
1- Auto-estradas 'olha lá vem um', nacionalização de negócios "madoffianos" (ex: BPN), etc… anda por aí muito pessoal a querer mandar naquilo que não é seu - o dinheiro dos contribuintes - consequentemente, como é óbvio, o Contribuinte tem de defender-se: "O Direito ao Veto de quem paga" [blog 'fim-da-cidadania-infantil'].
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2- Político armado em 'milagreiro económico', é político que quer carta branca para pedir empréstimos...
-> Contrair dívida (para isto, ou para aquilo) pode conduzir a uma ESPIRAL RECESSIVA: o aumento de impostos para pagar a Dívida Pública... provoca uma diminuição do consumo... o que provoca um abrandamento do crescimento económico... o que, por sua vez, conduz a uma diminuição da receita fiscal!
Por outras palavras: pedir dinheiro emprestado é um assunto demasiado sério para ser deixado aos políticos!!!
-> Será necessário uma campanha para motivar os contribuintes a participar... leia-se, votar em políticos, sim, mas... não lhes passar um 'cheque em branco'!... Leia-se, para além do "O Direito ao Veto de quem paga", é urgente uma nova alínea na Constituição: o Estado só poderá pedir dinheiro emprestado nos mercados... mediante uma autorização expressa do contribuinte - obtida através da realização de um REFERENDO.
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3- A participação do Banco Público, CGD, nas negociações de Cartelização da Banca.... vem reforçar aquilo que já se sabia: existe por aí muito político cujo 'trabalhinho' é abrir oportunidades para a superclasse (alta finança - capital global):
- caos nas finanças públicas;
- privatização de bens estratégicos: combustíveis... electricidade... água...
Resumindo: os políticos não podem continuar a ter o poder de nomear directamente os gestores das empresas estratégicas (ex: água, e outras a definir)... leia-se, deve existir um CONCURSO PÚBLICO de gestores... e... embora seja o governo a escolher a equipa gestora vencedora do concurso público... todavia, deve existir a obrigatoriedade de partilhar informação... no sentido de que o contribuinte possa acompanhar o andamento do concurso público.

Alfredo disse...

Estes resultados revelam o que já se sabe: não há alternativa aos partidos do bloco central, ainda que a maioria das pessoas sejam anti-troika. Uma coisa é ser por um governo anti-troika e outra coisa é ser por um desgoverno anti-troika. O PCP continua a tocar a cassete gasta e o BE é simplesmente um grupo de desgarrados que não conseguem sequer organizar-se nem criar uma base sólida. O destino desse projecto de união de minorias de esquerda confunde-se com o destino do projecto europeu.

Filipe Tourais disse...

Não, Alfredo, esta sondagem apenas mostra que os portugueses não têm coragem para mudar de vida e que a tareia que estão a levar ainda não foi dose suficiente para forçar essa mudança. O desgoverno da troika é o que temos, desgoverno anti-troika dificilmente seria pior. Isto é o inferno.

Filipe Tourais disse...

Gosto muito dessa conversa anti-políticos. Retiravam-se-lhes os poderes e ficavam com quem, com Deus ou com algum santinho, era? Nós vamos ser sempre governados por políticos, tratem mas é de escolhê-los melhor.