domingo, 10 de março de 2013

Duas boas ideias


Depois da proposta de Thomas Minder no sentido de acabar com remunerações abusivas dos conselhos de administração de empresas cotadas na bolsa, incluindo a proibição de bónus e pensões douradas, ter obtido 67,9% num referendo nacional, uma sondagem revela agora que os suíços são também favoráveis à fixação de um tecto salarial máximo equivalente a 12 vezes a remuneração mínima: 49,5% de "sim" contra40,5% de "não". Os suíços estão a conseguir usar a democracia para se protegerem dos Ulrich, dos Borges e dos Gaspares que também existem na Confederação Helvética.
Sou da opinião que deveríamos fazer o mesmo por cá. Por acaso não somos nós que estamos a pagar pensões milionárias como as de Jardim Gonçalves e de Filipe Pinhal? Por acaso não estamos também a pagar com desemprego e miséria a avalanche de encerramentos de empresas causada pela maior discrepância em toda a Europa entre um salário mínimo, que está entre os mais miseráveis da UE, e os salários máximos dos muitos coleccionadores de lugares nas administrações de empresas, que chegam a ganhar aos 20 e aos 30 salários por manhã para voltarem a repetir a dose nessa mesma tarde?
Nem todos os problemas do país ficariam resolvidos, é bem verdade, mas tenho a certeza que nunca mais passaria pela cabeça de nenhum idiota dizer que o desemprego se combate reduzindo o salário mínimo, porque o bem-estar dos mais ricos que o defendem seria condicionado pelas dificuldades que impusessem aos mais pobres. Da mesma forma, nunca mais nenhum desses sábios se atreveria a repetir que o direito a serviços públicos de qualidade e a uma pensão de reforma digna estão comprometidos devido ao envelhecimento da população, uma vez que ficaria à vista de todos que o que estava a comprometer esses direitos inalienáveis era a falta de salários suficientemente justos para poderem assegurar a sustentabilidade  que o seu achatamento não teve pejo nenhum em também subtrair.

(editado)

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