terça-feira, 12 de março de 2013

Cuidado com as imitações


Num clima de protesto contra uma austeridade que vai destruindo o país e contra uma forma de governar contra os cidadãos, sempre aparece quem tente capitalizar esse protesto convertendo o “contra” que o motivou no “a favor” mais do seu agrado e conveniência, que apenas por mero acaso com ele coincidiria. É o caso Deste manifesto, que, no meio de um diagnóstico da situação actual razoavelmente bem conseguido, diz que actualmente os cidadãos não elegem os seus representantes no Parlamento. Têm toda a razão. É realmente uma grande verdade. A nossa democracia emperra na abstenção. E a abstenção combate-se apelando ao voto e com o voto de cada um e não através de alterações no sistema eleitoral, porque não os há imunes à abstenção em nenhum país onde o voto não seja obrigatório.
O referido manifesto propõe um sistema eleitoral com círculos uninominais. Se o nosso sistema eleitoral fosse alterado para este sistema, diz-nos a experiência de todos os países que o adoptaram que, para além de continuarem a queixar-se dos efeitos devastadores sobre as suas vidas da sua própria abstenção, os portugueses queixar-se-iam ainda de um Parlamento vestido exclusivamente em dois tons daquela austeridade selectiva que sacrifica as pessoas aos direitos especiais de enriquecimento dos grandes interesses económicos. Já pagámos um preço demasiado elevado pela falta de cidadania e pela falta de coragem para mudar de uma enorme mancha de portugueses. Não queiramos elevá-lo ainda mais.

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