domingo, 24 de março de 2013

Antes que seja tarde




“O resultado do desemprego é muito infeliz, é mesmo muito pior que o esperado. É exactamente devido a isto que as metas do défice estão a ser revistas, devido à preocupação de tentar evitar mais pressões sobre o emprego”, afirmou o chefe da missão do FMI em Portugal numa entrevista por telefone da sede do Fundo Monetário Internacional) em Washington. Ou seja, o FMI está a destruir-nos o país, está a semear miséria, tem consciência disso e quer abreviar o sofrimento que nos está a impor para o nosso bem.

Ando a reler "Holocausto", de GERALD GREEN. O paternalismo, a propaganda, a semântica cuidada, os colaboracionistas, o ódio movido contra bodes expiatórios, a resistência dos judeus a enfrentar a verdade, aquela esperança estúpida no "isto não pode ser o que parece" e a subserviência levadas mesmo até ao fim, o momento em que começavam a respirar o gás letal ou se perfilavam todos nus para serem metralhados em frente à sepultura que eles próprios haviam escavado minutos antes, o fanatismo ideológico, o desprezo prepotente dos mais fortes pelos mais fracos, os confiscos, é-me impossível não estabelecer paralelismos entre os anos de chumbo do nazismo e esta ocupação que se consumou sem tropa nem tiros.

Resta-me a esperança de ver a resistência que tanto tem tardado a aparecer rapidamente e em força, antes que destruam tudo e não haja nada para salvar. Assusta-me reconhecer este significado nas declarações deste senhor tão bonzinho. Eles não vão parar com a pilhagem enquanto não forem parados ou até que não haja nada para pilhar. Cabe-nos correr com eles, Coelho, Portas, Seguro, Lagarde, Barroso, Merkel, Ulrich, Belmiro, amansadores de serviço nos média e outros traidores. Depois julgá-los, puni-los, obrigá-los a restituir tudo aquilo de que se apropriaram ilegitimamente. Ou, como os judeus, rezar e esperar que o lá de cima faça o que a falta de coragem nos impede de fazer.


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