quinta-feira, 28 de março de 2013

A sopa dos dias

Já terminou a entrevista de Sócrates à televisão e rádio pública. Parece que não morreu ninguém. Se a sopa do dia que nos foi servida durante mais de seis anos não matou, a mesma sopa, agora  azeda, também não matará. Quando muito, alimentará azias. Há interessados em servi-la. PSD e CDS de um lado, José Sócrates do outro, não sei se com ou sem o PS. O PS tornou-se numa coisa estranha, creio que até mesmo para o próprio José Sócrates. E fregueses é o que menos falta, ávidos de meter a colher na sopa destes três interessados em culparem-se uns aos outros da calamidade que, sem excepções, é responsabilidade exclusiva de todos eles.
Sopa de roupa suja. O perigo que as entrevistas de Sócrates oferecem à democracia não está em Sócrates, tal como os oferecidos pelos espaços semanais de Marcelo, Marques Mendes ou Manuela Ferreira Leite não estão em nenhum deles. Está em quem se limita a comer o que lhe é servido apesar de ter experiência suficiente para saber o mal que lhe faz e em quem tem o poder de limitar a ementa a sopas que ou fazem mal, ou fazem pior. Sócrates deu uma entrevista que se sabia de antemão não seria para falar mal de si próprio. E os portugueses lá voltaram a dividir-se, uns dizem que preferem comer sopa de fome, outros ter fome de sopa. Toda a gente rendida à falta de sonhos cheios de bifes, que ouvi um destes dias não devem comer-se todos os dias. A gente só quer é sopa. Seja. Comam sopa. A sopa é a de sempre. "O que é o jantar?" É a pergunta mais idiota que pode fazer quem não queira largar a tijela. E a culpa, claro está,  é toda da sopa.

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