sábado, 30 de março de 2013

A repressão em Angola e o apoio português

Uma manifestação destinada a denunciar o desaparecimento de dois activistas políticos angolanos, marcada para este sábado em Luanda, não se realizou por intervenção das forças de segurança. De acordo com o PÚBLICO, que cita fontes do movimento, 18 dos que se preparavam para se manifestar foram presos, entre eles o músico Luaty Leitão, e os outros dispersados. O protesto foi organizado pelo Movimento dos Jovens Revolucionários para denunciar a prisão e desaparecimento de dois activistas, Isaías Kassule e Alves Kamulingue, envolvidos nos preparativos para uma manifestação de protesto contra o Governo em Maio do ano passado. O seu paradeiro é desconhecido até hoje e os seus nomes são mencionados no documento do Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que critica o Governo de Luanda pelo desaparecimento de activistas políticos, pela existência de execuções sumárias e pela impunidade com que a polícia viola sistematicamente direitos humanos elementares. Mais do que calar-se, o Governo português  - este e os anteriores - apoia e verga-se a todo e qualquer reparo que lhe seja dirigido pelo regime cleptocrático de Angola. Um dia, que espero não demore muito, havemos de ser confrontados com aquele tempo em que apoiávamos um regime assassino a troco de migalhas: "vendíamo-nos mesmo barato". E conscientemente, o que aumenta a vergonha.

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