sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Uma China na Europa Ocidental


De acordo com o relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado nesta sexta-feira, os custos salariais caíram 16,1% durante o último trimestre do ano. Já as outras despesas para os empregadores ligadas ao trabalho, como as contribuições sociais, por exemplo, sofreram uma redução de 13,2%, número que demonstra bem o sucesso das políticas do Governo nos objectivos concentração de riqueza e aumento das desigualdades. Excluindo a administração pública, onde a quebra verificada foi de 28,4%,os custos com o trabalho caíram 5,7% e não os 14,9% globais.

 A queda no custo do trabalho tem vindo a acentuar-se gradualmente desde o primeiro trimestre de 2011. Só em 2012 o indicador caiu 7,7%, 10,3%, 14,1% e16,1% nos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestre, respectivamente e sempre a acelerar. Aqui está a razão pela qual o Governo nada faz para travar o aumento do desemprego. Limitam-se a observar a economia a implodir e a deixar o desemprego aumentar. Quanto mais desempregados houver, maior será a necessidade que obriga quem procura trabalho a aceitar qualquer salário que lhe seja oferecido. A agenda política do centrão neoliberal é uma fotocópia do comunismo chinês: salários mínimos e precariedade para todos.

Vagamente relacionado: O Estado perdeu mais de 28 mil trabalhadores entre 2011 e 2012. O número de trabalhadores nas administrações central, regional e local recuou 4,6%, ultrapassando a meta de redução prevista no memorando de entendimento, que apontava para um corte de 2%. De acordo com a Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, no final do ano passado, as administrações públicas empregavam 583.669 trabalhadores.
Ainda mais vagamente: o secretário-geral da CGTP prevê a participação de “dezenas de milhares de pessoas” nas manifestações que se realizam neste sábado por todo o país e que servirão para anunciar “a intensificação da luta nos próximos tempos”. A jornada de luta foi marcada em protesto contra os cortes salariais e das pensões, o aumento da carga fiscal, o agravamento do custo de vida e do desemprego. A CGTP reivindica novas políticas que passem pelo aumento imediato dos salários e pensões, o alargamento da protecção social a todos os desempregados e um programa de emergência de combate ao desemprego.

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