segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

De impostor para impostor

De manhã, a carta, em todos os jornais, para que todos os portugueses pudessem testemunhar que António José Seguro está empenhadíssimo em acabar com a austeridade que está a destruir o país: “os portugueses não aguentam mais”. À tarde, a resposta, não à carta da manhã, a uma pergunta que a eurodeputada socialista portuguesa Elisa Ferreira lhe dirigiu, Mário Draghi diz que O que é preciso mitigar não é o ritmo da consolidação orçamental portuguesa, mas os seus efeitos,  citando como exemplo a focalização do programa na redução das despesas públicas mais do que no aumento dos impostos.
António José Seguro só pode estar radiante com a resposta. Foi precisamente a favor desta estratégia vencedora que votou ao lado de PSD e CDS quando, no final de 2011, os três partidos aprovaram a “regra de ouro” que fixa um tecto máximo de 0,5% do PIB para o défice orçamental. O Estado mínimo, mesmo mínimo, da resposta de Draghi está nesta regra de ouro da ultra-austeridade que, tal como o memorando que o seu partido assinou,  Seguro nunca assumiu ter sido um erro. Prefere apostar na impostura, prosseguir como se nada fosse, vestido de guardião do Estado social que nunca foi nem nunca será. António José Seguro nunca será mais do que um lamentável erro cometido por quem consiga levá-lo a sério.

Sem comentários: