terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Um recado da Alemanha


Foi uma das políticas de sucesso no combate à crise de 1929. Vai regressando aos poucos. Um grupo de 100 académicos e políticos alemães estão a pedir um horário de 30 horas semanais sem corte nos salários, noticia hoje o jornal alemão Tageszeitung, citado pela CNBC. Os peticionários argumentam que uma semana de trabalho mais curta é a melhor forma de lidar com o aumento da taxa de desemprego no país, contribuindo também para o aumento da produtividade dos trabalhadores. É uma excelente notícia que finalmente haja quem não receie destoar da loucura generalizada que se instalou numa Europa governada por moralistas que, em nome de uma recuperação económica que foge para mais longe sempre que têm uma ideia do género, não têm qualquer pejo em pôr toda a gente a trabalhar gratuitamente para os patrões respectivos durante os quatro ou cinco feriados suprimidos pela sua demagogia. Recordemo-lo, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas tentaram sem sucesso aumentar a carga horária diária em meia hora de trabalho. O recado que hoje nos chega da Alemanha é sobretudo para eles e para os ceguinhos que os apoiam. Se o tivessem conseguido, o desemprego recorde de hoje seria ainda maior.

Vagamente relacionado: O presidente americano defendeu o reforço do investimento público em áreas como educação, infra-estruturas, investigação e inovação científica e energias alternativas. “A redução do défice só por si não é um plano económico”, disse Obama, que defendeu o aumento do salário mínimo nacional para nove dólares por hora, em vez dos actuais sete dólares e meio. “Na nação mais rica à face da terra, nenhum trabalhador a tempo inteiro deveria viver na pobreza”, declarou, notando que um trabalhador a tempo inteiro com o salário mínimo ganha 14.500 dólares por ano (ou 10.780 euros, em Portugal são 6790).
Ainda mais vagamente: o  ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu esta terça-feira que Portugal não se pode queixar da negociação obtida no quadro do próximo orçamento comunitário porque, segunndo ele, apesar de termos ficado com menos, houve quem ficasse bastante pior. Reconhecem a escola? Não devemos queixar-nos quando há sem-abrigo que estão muito pior do que nós, ou seja, nunca devemos queixar-nos, tudo é bom e nada é mau, porque sempre há quem esteja em pior situação.

2 comentários:

Zé da Burra o Alentejano disse...

Não percebo porque o meu comentário sobre o Carnaval não se consegue encontrar nas pesquisas do SAPO ou do GOOGLE, mas aqui vai é precisamente sobre a necessidade de mais um dia de trabalho: "TERÇA-FEIRA, 12 DE FEVEREIRO DE 2013 Hoje é dia de Carnaval e não há tolerância de ponto. Grande parte dos portugueses deveria ter ido hoje trabalhar, mas não foi, pois as Empresas Públicas, muitas das Privadas e até cerca de 60% dos Municípios não acataram a orientação do Governo e concederam este dia aos seus colaboradores, dando assim uma "bofetada com luva de pelica" aos nossos governantes, que, talvez contassem "salvar o país" com mais um dia de trabalho."

Filipe Tourais disse...

A tolerância de ponto sempre foi apenas para os trabalhadores. Os colaboradores, como o próprio nome indica, só colaboram quando querem.