segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um guardião de tesoura na mão

Já depois do “ponto de viragem” apregoado por Costa e Seguro após o tal “documento de Coimbra” que só não se chamou “Portugal primeiro” para não tornar demasiado evidente a ideia de que PS e PSD são involuntariamente iguais, no “Prós e Contras”, o Secretário de Estado da Administração Pública assumiu que Vítor Gaspar se reúne secretamente com o PS para ensaiarem as deixas dos teatros a representar por ambos no Parlamento. Um desses teatros teve como enredo a regra de ouro do tecto de 0,5% do PIB para o défice orçamental que, recorde-se, foi aprovada por PS, PSD e CDS e que, constate-se, de cuja aplicação resultará um Estado reduzido ao mínimo. E que será ainda mais mínimo depois de satisfeita a exigência do PS de tornar prioritários sobre todos os demais os pagamentos a credores externos. Aqui está o “guardião do Estado social”. E aqui está o “ponto de viragem”. Caiu-lhes a máscara. O guardião também anda com a tesoura na mão.

Vagamente relacionado: O julgamento do caso BPN tem 16 arguidos e mais de 300 testemunhas. Teve início a 15 de Dezembro de 2010 e até hoje, passados cerca de 800 dias, houve audiências em pouco mais de 120 dias nos quais se conseguiu ouvir o estonteante número de 9 (leu bem, nove!) das 300 testemunhas. A este ritmo, uma decisão de primeira instância demorará, pelo menos, 5 anos. A que se seguirão os recursos. A que seguirão as aclarações de sentença.
Ainda mais vagamente: três longos anos depois da abertura do inquérito, o Ministério Público finalmente deduziu a acusação contra João Rendeiro, Fezas Vital e Paulo Guichard, ex-administradores do Banco Privado Português (BPP), pela prática do crime de burla qualificada, em co-autoria. Em causa está uma operação de aumento de capital de uma sociedade veículo criada pelo BPP, a Privado Financeiras, para adquirir as acções do BCP, mobilizadas no quadro da luta de poder pelo controlo do banco fundado por Jardim Gonçalves.
Quase nada relacionado: O Ministério da Justiça (MJ) refutou hoje as denúncias da direcção da associação cívica Transparência e Integridade (TIAC), de que Portugal continua sem combater a corrupção.

 

1 comentário:

OLima disse...

Qual a diferença entre o PS e o PSD? perguntou um dia o Dr Jorge Carvalho, vigal da Assembleia Municipal de Espinho eleito, independente, pela CDU. A resposta, dada há cerca de 25 anos durante uma reunião daquela AM, fos esta: "A diferença é que ao PS lhe falta o D". Nunca como agora tal observação é tão atual.