segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Surviving in Portugal

Sou proprietário de uma casa que teria todo o gosto em vender mas ninguém ma compra. Será que o nosso Governo me ajuda a vendê-la? Não sou um banco e a minha casa não pertence a nenhum fundo imobiliário da banca, isento de IMI, pelo que a resposta é obviamente negativa. OK. Prescindo da ajuda do Governo e trato eu próprio de conseguir-lhe um comprador: os meus pais. Será que se eles me comprarem a casa o Governo deixará de continuar a roubá-los cada vez mais indecentemente nas pensões de reforma que conquistaram ao longo de vidas inteiras a trabalhar? A resposta é novamente negativa: os meus pais não são nem ingleses, nem alemães, nem russos. São portugueses. O living in Portugal, a última criação do Governo para ajudar o sector financeiro a vender os imóveis que tem em carteira não abrange proprietários tesos como eu nem as vantagens fiscais que oferece a reformados estrangeiros a título de desconto no preço dos imóveis que adquiram abrange nacionais como os meus pais. Para nós há o “surviving in Portugal”.  A nós e a todos os que são como nós cabe-nos pagar os impostos que cobrem os 828 mil euros que custará a promoção de uma ideia tão brilhante e com tantas vantagens concentradas. Portugal tem entre 6 mil e 10 mil imóveis para vender, lê-se aqui. Mentira. São pelo menos 6001.

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