sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Prevendo o que as previsões não querem prever

Segundo as previsões da Comissão Europeia hoje divulgadas, novamente revistas em baixa, a economia portuguesa vai cair este ano 1,9%, quase o dobro do anteriormente previsto, depois da queda, igualmente muito superior aos -1,8% das suas previsões, de 3,2% verificada em 2012. Bruxelas assume sem rodeios que estas projecções, que tornam a pôr a nu o optimismo das suas anteriores estimativas, em linha com as do Governo, de um crescimento negativo de apenas 1% este ano, constituíram uma evolução "inesperada" e mesmo uma "surpresa", que atribui sobretudo ao aumento do desemprego, à queda do consumo interno e à redução das exportações em resultado da deterioração da conjuntura europeia.
Bruxelas admite que estas previsões possam voltar a ser revistas em baixa, mas podemos desde já empenhar-nos na tarefa de prever o que Bruxelas já previu e não quis divulgar. Se a dose de optimismo da previsão hoje divulgada não exceder o optimismo que previu uma quebra de 1,8% do PIB no ano em que a economia portuguesa se contraiu 3,2%, aplicando a taxa de optimismo responsável pelo erro anterior à previsão hoje avançada,podemos apontar para uma contracção da nossa economia em 2013 nunca inferior a 3,4 ou 3,5%, sendo também optimistas ao ponto de também não considerarmos a deterioração dos mercados interno e externo, já hoje uma realidade. Sem uma mudança de políticas que afaste de vez a austeridade, tenhamo-lo como garantido, a calamidade ficará bastante acima destes já sobejamente trágicos 3,5%.
  • Outras previsões do boletim: a taxa de desemprego deverá ultrapassar os 17,5% em 2013, enquanto o défice orçamental derrapa em relação às previsões do Governo e chega aos 4,9% este ano, falhando o objectivo 4,5%. No que diz respeito à dívida pública, Bruxelas abandona agora a expectativa de que o seu valor pudesse estabilizar a partir de 2014. A percentagem deste ano é revista em alta para 123,9% (em vez de 123,5%) e a de 2014 chega aos 124,7% (em vez de 123,5%).
  • Já uma realidade: o défice conjunto da administração central e da Segurança Social foi de 31,4 milhões de euros em Janeiro, de acordo com a informação divulgada nesta sexta-feira pela Direcção-Geral do Orçamento. O valor apurado compara com o saldo positivo de 290,7 milhões de euros que foram registados no primeiro mês do ano passado.
 (editado) 

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