terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nasceu mais um "toda a gente sabe"

Em toda a imprensa se lê que a derrota clara de Mario Monti, alegado preferido pelos mercados, e o impasse governativo que resulta das eleições italianas leva as bolsas a cair e os juros da dívida a subir. Esta imprensa parece que trata por tu estes mercados e até sabe qual é o seu candidato preferido em todas as eleições. Os adivinhos afastam das suas explicações os números de Janeiro dos inscritos no desemprego em França, que confirmam a tendência para uma subida pelo vigésimo mês consecutivo e que deverão aproximar-se do recorde de 1997 de 3,2 milhões de desempregados. Eles querem que acreditemos que os mercados não ligam nada à economia real, nem mesmo quando a segunda economia europeia dá sinais de acentuar a sua recessão. Segundo a versão destas luminárias, a queda nas bolsas e a subida nos juros do mercado da dívida devem-se exclusivamente ao resultado das eleições italianas. Esta imprensa mercenária joga na equipa que ganha quando a “estabilidade política” trabalha contra a estabilidade da vida das pessoas. Os seus soldadinhos de chumbo repetem ideias, sugerem Montis e Gaspares, oferecem o caos a quem ouse desafiar a austeridade que mais convém às fortunas dos seus generais. É assim que nascem os "toda a gente sabe" que dão cabo das vidas de cada vez mais gente.
 
Vagamente relacionado: A opinião é unânime para a Comissão de Trabalhadores (CT) e para o Conselho de Redacção (CR) da RTP: Nuno Santos não deve ser despedido da empresa. Nos pareceres (obrigatórios mas não vinculativos) dos dois órgãos, defende-se que Nuno Santos, ao dizer no Parlamento que uma ordem de serviço interna que fazia depender a maioria das decisões da direcção de Informação de autorização superior condicionava a liberdade da equipa, estava a agir em legítima defesa, denunciando restrições ao direito de informar, como é sua obrigação decorrente do Código Deontológico. Os soldadinhos de chumbo não têm problemas deste género.

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